Lula em comício

A força eleitoral com a qual o ex-presidente Lula inicia 2022 deve levar a esquerda a dominar o Nordeste e Sudeste brasileiro, além do PT retomar antigos espaços políticos, já considerados redutos petista como o Acre e o Rio Grande do Sul. A se consolidar a “onda Lula” até as eleições, petistas e aliados devem eleger no mínimo sete dos noves Estados nordestinos e três dos quatro Estados do Sudeste.

São Paulo

Campanha de Lula deve impulsionar candidaturas nos Estados

Em São Paulo, o ano inicia de favorável politicamente para a eleição do ex-prefeito Fernando Haddad. No final de 2021 o instituto Datafolha ouvir 2.034 eleitores de 13 a 16 de dezembro, em 70 municípios do estado.

          Em um cenário o ex-governador Geral do Alckmin lidera com 28%, seguido por Haddad (19%), França (13%), Guilherme Boulos (PSOL, 10%), o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (sem partido, 5%), Arthur do Val (Patriota, 2%) e a dupla Vinicius Poit (Novo) e Abraham Weintraub (sem partido), com 1%. Brancos e nulos somam 16%, e 4% não opinaram.

         No cenário mais provável, considera-se que Alckmin deixou a corrida, o ex-prefeito petista lidera com 28%. Já França permanece com 19%, Boulos oscila de 13% para 11%, Tarcísio, de 6% para 7%, Garcia, de 5% para 6%, Arthur do Val, de 5% para 3%, Weintraub, de 2% para 1%, e Poit fica em 1%.       No cruzamento de dados, 30% dos eleitores do ex-governador optam por Haddad, 19% por França, e 13%, por Garcia. De qualquer maneira, três candidatos com viés esquerdistas ocupam os primeiros lugares, Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL).

Busca e apreensão na família França

Ex-governador Márcio França

Na manhã desta quarta-feira, 05/01, a Polícia Civil de São Paulo cumpre uma série de mandados judiciais de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador Márcio França, em uma investigação que apura um suposto esquema criminoso de desvio de recursos da área da saúde.

         O irmão do ex-governador, o médico Cláudio França é outro alvo da operação, que está sendo desencadeada em ao menos 30 locais da capital, litoral e interior em endereços da família França e, também, de ex-funcionários de organizações sociais, empresários e médicos.

         A investigação apura peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo os policiais, no suposto esquema as organizações sociais (as chamadas OSs) seriam usadas para desvios de recursos mediante contratos superfaturados para gestão de unidades de saúde destinadas ao atendimento da população pobre.

         Essa operação desta quarta-feira, deverá contar negativamente para as pretensões de França chegar ao palácio dos Bandeirantes e facilitar ainda mais a campanha de Haddad, fato que ganha maior impulso caso a possível chapa presidencial encabeçada por Lula tenha como vice Geraldo Alckmin.

Espírito Santo

            No Estado do Espírito Santo, o governador José Renato Casagrande (PSB) lidera a corrida para sua reeleição e deve ganhar o apoio do PT caso a articulação nacional PT/PSB se concretize.

Rio de Janeiro

Lula e Freixo em Brasília

No Rio, o ano fechou com o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) em vantagem para governar o Estado. Pesquisa da consultoria Quaest testou três cenários. No primeiro deles, com Paes, o prefeito do Rio lidera com 26% das intenções de voto, seguido por Freixo, com 19%, e Castro, com 14%.No entanto, Paes tem declarado que não pretende deixar o mandato na prefeitura, e que seu candidato ao governo será Felipe Santa Cruz, atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e que deixará este posto no início de 2022. Nos dois cenários em que foi testado, Santa Cruz aparece com 3%, ambos em empate técnico, no limite da margem de erro, com Rodrigo Neves, que chega a até 7% das intenções de voto.

            Freixo assume a liderança no segundo cenário, sem Paes, marcando 25% das intenções de voto, enquanto Castro chega a 16%. No terceiro cenário, com o vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva do Exército, Freixo oscila para 23%, enquanto Castro desce para 12%. Mourão, por sua vez, entra com 17% das intenções de voto. O vice-presidente tem sido estimulado por deputados bolsonaristas descontentes com Castro a se lançar ao governo, mas por ora vem manifestando preferência nos bastidores por uma corrida ao Senado, e também cogita concorrer pelo Rio Grande do Sul.

Rio Grande do Sul

         No Rio Grande do Sul, pesquisa do Instituto Atlas, realizada entre 17 e 23 de dezembro apontam o deputado estadual Edegar Pretto (PT) na frente da disputa, com 18,6% de voto no Estado,  Lorenzoni, com 17,8%, o senador Luis Carlos Heinze (PP) com 9,2%, Pedro Ruas (PSOL) com 8,4%, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB) com 7,8%, o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) com 4,5% e o deputado federal Alceu Moreira (MDB) com 3,5%.

         A pesquisa também avaliou a preferência do eleitorado gaúcho. O ex-presidente Lula lidera entre os nomes políticos com maior aprovação, com 47% dos entrevistados afirmando terem uma imagem positiva de Lula. Ele está empatado com o atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), também com 47%. Em terceiro lugar na preferência dos eleitores, aparece o ex-governador do Estado Olívio Dutra (PT), com 45% de aprovações.

         Lula e Dutra podem impulsionar os gaúchos a votarem em Pretto, caso venha a se confirmar a sua candidatura. No Rio Grande do Sul, o PT já governou duas vezes com Olivio Dutra (1999-2003) e Tarso Genro (2011-2015)

ACRE

Ex-governador Jorge Viana e Lula

No Acre pesquisas RealTime Big Data de agosto apontavam a reeleição do governador Gladson Cameli (PP), com 62% dos votos, e o ex-governador Jorge Viana (PT) seria eleito senador, com 21% dos votos dos acreanos.

         Entretanto, nos últimos meses do ano muita coisa mudou para pior em relação à pretensão de reeleição de Gladson Cameli. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que as transações do governador do Acre, ultrapassam R$ 828 milhões. Isso entre depósitos em espécie, compras de veículos de luxo e contratações imobiliárias e o governador virou alvo de investigação da Polícia Federal que apura suspeita de desvios em contratações nas áreas de saúde e infraestrutura.

         As movimentações financeiras suspeitas que arrastaram o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), para o centro de um possível esquema de desvios em contratações na Saúde e Infraestrutura também colocaram seu pai, Eládio, na mira da Polícia Federal. Relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que, entre janeiro e agosto de 2019, período que coincide com os primeiros meses de mandato de Gladson, o patriarca movimentou R$ 420,4 milhões em uma conta na Caixa Econômica.

         Por outro lado, a pesquisa RealTime Big Data perguntou aos entrevistados quem eles consideram o melhor governador do Acre, nos últimos 30 anos. Para 39% das pessoas ouvidas, Jorge Viana (PT) foi o melhor governador do período. Nessa conjuntura o Partido dos Trabalhadores pode voltar a governar aquele Estado.

Franco Silva: Do lago Sapucuá (Oeste do Pará) para o Amazon News

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