O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará reunião, nesta terça-feira (11/01), com representantes do governo da Espanha para debater a nova reforma trabalhista espanhola que revogou as leis trabalhistas promovidas em 2012 naquele país.

        O governo espanhol, comandado pelo PSOE, partido do presidente Pedro Sánchez, revogou as leis de 2012 alegando que a legislação agora extinta na Espanha só fez aumentar a precarização do trabalho e levar insegurança aos trabalhadores.

        Lula e o PT pegaram o gancho espanhol para colocar em evidência a necessidade de também revogar as Leis Trabalhistas brasileiras que foram aprovadas em 2017 durante o governo Temer sob o argumento de aumentar o nível de emprego e melhorias na renda dos trabalhadores.

         Mas, de acordo com dados do próprio IBGE, isso não aconteceu. Pelo contrário, dados oficiais do governo como a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que em meados de 2017, antes da mudança na legislação, a desocupação era de 12,6%. Em 2021 o desemprego oscilou entre 14,7% e 13,2%, aponta a Pnad, além de precarizar o trabalho e deixar grande parte de trabalhadores abandonados à própria sorte no trabalho informal.

Em novembro, Lula em encontrou com dirigentes sindicais espanhóis em Madri

Sem direito à Justiça

Neste domingo (9/01), por exemplo, a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT/PR), voltou a falar sobre a necessidade de revogação da Reforma Trabalhista em eventual governo petista.

        “A reforma do Temer, que toda a mídia apoiou, tirou dos trabalhadores até o direito de ir à Justiça. Rasgou conquistas históricas. Fragilizou os sindicatos e implantou a lei do mais forte”.

        “Reforma que não criou empregos, só mais lucros e injustiça. É esta selvageria que queremos rever, como está ocorrendo na Espanha”.

        “Esse debate está deixando claro que tipo de democracia a mídia e as elites brasileiras defendem: aquela em que elas mandam e o povo sofre”, atacou Gleisi Hoffamnn no Twitter.

Em novembro, Lula em encontrou com dirigentes sindicais espanhóis em Madri

“Queremos aprofundar os estudos sobre a reforma da Espanha”, diz Mercadante

O encontro entre petistas e espanhóis será realizado virtualmente e contará com a participação de José Luis Escrivá, ministro de Seguridade e Migrações, e Adriana Lastra, vice-secretária geral do PSOE, partido do presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez.

        Também foram chamados para a reunião membros do PT, da Fundação Perseu Abramo e presidentes das centrais sindicais brasileiras.

        “Tem pessoas que nem sabem do que se trata e já estão criticando. Queremos aprofundar os estudos sobre a reforma da Espanha”, diz o ex-ministro Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo.

        Ele afirma que a ideia é discutir o tema nesse encontro reservado e, posteriormente, realizar um debate público.

        “O objetivo da reunião é analisar os novos marcos trabalhistas no século 21 e, concretamente, tratará da reforma trabalhista do governo que lidera Pedro Sánchez com o acordo dos agentes sociais”, diz comunicado do PSOE.

        Mercadante diz que a proposta que hoje avança na Espanha trata da questão dos trabalhadores de aplicativo, precarizados, uma experiência que o PT pretende conhecer melhor.

        “São trabalhadores sem direitos. Na Espanha, a partir de um acordo entre governo, trabalhadores e empresários, eles conseguiram inclusive ter acesso aos algoritmos desses aplicativos. É uma discussão longa a se fazer, ouvindo todos os setores”, afirma Mercadante.

Em novembro, Lula encontrou o presidente da Espanha Pedro Sánchez

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