O ex-presidente Lula fez história mais uma vez em 2021, “furando a bolha” geracional e interagindo com uma juventude que, em boa parte, era criança no início de 2011, quando o presidente mais popular do Brasil encerrou dois mandatos consecutivos. Suas participações nos podcasts Podpah, um dos maiores do país, e Mano a Mano, do rapper Mano Brown, bateram recordes de audiência.

         A participação de Lula no episódio da madrugada de 9 de setembro do Mano a Mano foi a mais ouvida do Spotify em 2021. A informação foi divulgada pela plataforma de streaming em primeiro de dezembro, quando lançou a retrospectiva de audiência do ano.

         Antes mesmo de ir ao ar, a entrevista a Mano Brown já havia tomado as redes sociais como um dos principais assuntos, seguindo assim ao longo do dia, com a viralização de trechos e momentos considerados marcantes. A conversa durou mais de duas horas e passou por diferentes pautas.

Podpah bateu recorde nacional

episódio do Podpah, dos jovens Igor Cavalari (Igão) e Thiago Marques (Mítico), bateu o recorde nacional de uma transmissão de podcasts. Foram contabilizadas 292 mil pessoas assistindo simultaneamente e 2.187.830 acessos durante a live, tornando a conversa com Lula a maior audiência ao vivo do canal.

         No dia seguinte, o vídeo acumulava 4,6 milhões de visualizações, e o número de curtidas chegou a 536 mil. O PodPah, que já era o maior podcast do país, com 4,2 milhões de seguidores no YouTube, ganhou 30 mil seguidores nesse intervalo. Nesta semana, a conversa já ultrapassou 8,2 milhões de visualizações.

         Nas redes sociais, o assunto Lula foi o assunto mais comentado no mundo durante a transmissão, e seguiu sendo um dos mais comentados no Brasil no dia seguinte. As menções ao nome dele chegaram a superar as do Atlético Mineiro, mesmo depois de o time alcançar o bicampeonato nacional após um jejum de 50 anos.

         Com o desempenho, Lula registrou pico de mais de 300% de novos usuários que o citaram no Twitter em 24 horas. O crescimento levou a um volume de menções 93% maior do que o de Jair Bolsonaro, que transmitia a live semanal no mesmo horário e, em seu melhor momento, foi visto por 30.000 pessoas, na soma do YouTube com Facebook.

         A conversa que mobilizou a internet tratou de temas variados, da importância da política à volta da fome, da inflação recorde ao preço do combustível a quase R$ 8, além das fake news presidenciais na pandemia, do desemprego e do fim do Bolsa Família.

         Além do Mano a Mano e do Podpah, Lula também esteve em roda de conversa no programa Triangulando, da médica e campeã do BBB 20, Thelminha Assis, em 2 de setembro. Ao seu lado, estavam a cantora, atriz e ativista Linn da Quebrada e o fundador da Central Única das Favelas (Cufa), Celso Athayde. Gil do Vigor, economista e ex-BBB, entrou por videoconferência.

         No programa Triangulando com Lula: Linn da Quebrada, Celso Athayde Gil do Vigor:  Desigualdade Social, os participantes lembraram algumas das principais conquistas da população durante o Governo Lula. “Se hoje estou olhando no seu olho aqui, é porque recebi uma oportunidade lá atrás. Como o senhor se sente sabendo que mais de 3 milhões de universitários já se beneficiaram com o Prouni?”, questionou Thelma.

         “Fico emocionado e gratificado de ver pessoas como você e Gil chegar onde chegaram. O papel do Estado é de abrir uma porta e dar às pessoas a oportunidade de disputar qualquer coisa nesse país”, respondeu Lula.

No programa Triangulando com Lula: Linn da Quebrada, Celso Athayde Gil do Vigor

Interação com jovens coloca Lula em primeiro na web

         A interação com jovens nas entrevistas nos podcasts, bem como outras ações como suas viagens pelo Nordeste, Europa e Argentina fizeram Lula ultrapassar Bolsonaro a partir de 15 de novembro e manter a liderança com folga até esta segunda-feira (10/01), quando o petista marcou em popularidade digital.  60,3 pontos contra 52 de Bolsonaro. No dia 31 de dezembro, o petista fechou o ano com 59,74 pontos contra 46,12 de Jair Bolsonaro, aponta o IPD (Índice de Popularidade Digital)   medido pela consultoria Quaest, divulgado nesta terça-feira (11/01).

         Segundo a Quaest, Ciro Gomes (PDT) está em terceiro, com 24,6 pontos, seguido de Sergio Moro (Podemos), com 18,8. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), marcou 17 pontos, enquanto Felipe d’Ávila (Novo) chegou a 14,4, e Rodrigo Pacheco (PSD) teve 11 pontos.

         A métrica do IPD avalia, desde 2019, o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. A performance é medida em uma escala de 0 a 100, na qual o maior valor representa o máximo de popularidade.

         São monitoradas seis dimensões nas redes: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas às postagens), presença (número de redes sociais em que a pessoa está ativa) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia).

Adaptação de Lula à era digital

“Lula adaptou bem sua estratégia digital e passou a competir em vários momentos em pé de igualdade com o bolsonarismo. É uma vantagem importante para Lula”, resume  o cientista político Felipe Nunes, que é diretor da Quaest e responsável pelo IPD.

         Nunes afirma que o petista apostou em construir uma imagem positiva, buscando satisfazer a opinião pública ao falar de pandemia, vacinação, inflação, fome e miséria.

O desempenho de Lula na web aos poucos vai se encontrando com seus resultados das pesquisas de intenções de votos.  Na pesquisa Datafolha de dezembro, por exemplo, Lula tem 48% das intenções de votos, seguido por Bolsonaro, com 22%. Moro tem 9%, Ciro alcança 7%, e Doria, 4%. Felipe d’Ávila não pontuou. Nesse cenário, Lula venceria no primeiro turno com 53,3% dos votos válidos.

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