Ao chamar Lula de grande líder e tratar o petista como fenômeno político, o senador Eduardo Gomes (MDB/TO), que é líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional, emitiu mais um forte sinal de que Lula segue jogando impecavelmente e dando suas últimas ‘tacadas’ para faturar a Presidência da República no dia 2 de outubro, data do primeiro turno.

         ‘Sozinho’ Lula já teria coisa de 45% a 50% no primeiro turno. Mas nos últimos dias trabalha em cima de partidos e lideranças partidárias que possam lhe render uns 6%, que seria a soma do MDB, PSOL, Rede, PSB, PSD, parte do Republicanos do Edir Macedo e quem sabe, parte ou todo PDT de Ciro Gomes e parte ou todo PSDB de Doria.

         Ciro e Doria vêm sofrendo pressão para desistirem em nome da sobrevivência regional de várias lideranças. Mas isso só se saberá após o carnaval. Nominalmente seriam 6%, mas que representam de fato 12%, porque somariam 6% para Lula e subtrairia 6% de potenciais concorrentes, o que garante a eleição do petista ainda no primeiro turno.

Pernambuco destrava com PSB

        Governador de Pernambuco Paulo Câmara

Nesta quinta-feira (03/02), um dos grandes empecilhos para o avanço da composição da chapa nacional encabeçada por Lula foi desfeito. O PSB exigia, entre outros, que o PT abrisse mão da candidatura ao governo de Pernambuco. Em encontro com Lula, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), comunicou ao petista que o candidato de seu partido será o deputado federal Danilo Cabral.

         No dia seguinte, também em São Paulo, Lula e o senador Humberto Costa (PT/PE) reuniram com a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann e anunciaram publicamente a retirada de Humberto da corrida pelo governo do Estado. Nas pesquisas, o senador petista aparecia como o primeiro para ocupar a cadeira de governador pelos próximos quatro anos.

        “Mesmo liderando as pesquisas, companheiro @senadorhumberto abriu mão de disputar o governo de Pernambuco p/ unificar as forças no populares e no Brasil, p/ derrubar Bolsonaro e seus retrocessos. Grandeza política e desprendimento q saudamos hj em encontro c/ @LulaOficial”, publicou Hoffmann no Twitter.

MDB dá sinais de aproximação

        Senador Renan Calheiros, Lula e o governador de Alagoas Renan Filho

Com o MDB Lula vem desde meados do ano passado alinhavando apoio. Já conversou com o ex-presidente José Sarney (MDB-MA), ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE), e na semana passada conversou com o Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), senador Renan Calheiros (MDB-AL) e com o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), que tenta a reeleição neste ano.

         Dos encontros, saiu a estratégia de iniciar a aproximação do MDB pela “velha guarda” do partido, tradicionalmente mais próxima de Lula e pressionar para que o MDB desista da candidatura da senadora Simone Tebeb (MDB-MS), que tem entre 1% a 1,5% de intenções de votos, e apoie o petista ainda no primeiro turno.

            Renan não perdeu tempo e ainda na semana passada já entrou em campo para viabilizar a operação e iniciou seus contatos. Pediu que colegas o ajudassem a organizar um encontro com outros caciques emedebistas nos próximos dias, em Brasília.

            A ideia é reunir nomes emedebista como os atuais senadores Jader Barbalho (MDB-PA) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e os ex-senadores Roseana Sarney (MDB-MA), Romero Jucá (MDB-RR), Edison Lobão (MDB-MA), além do próprio Renan e Eunício.

         Então, quando o senador Eduardo Gomes (MDB/TO), que é

líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional, afirma publicamente, como fez nesta sexta-feira, dizendo que Lula é um fenômeno político e grande líder, ele pode estar emitindo sinais de que a articulação dentro do MDB está dando certo.

Randolfe na rede

         Quem já está na rede de Lula para o 1º turno é o senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP). O amapaense foi convidado para integrar a equipe de coordenação da campanha de Lula e deve aceitar o convite.

         Randolfe foi convidado pelo próprio Lula em janeiro e já prepara para lançar o pastor evangélico Lucas Abrahão (Rede) na disputa pelo governo do Amapá. Randolfe estava em segundo lugar nas intenções de votos para o governo.

         Agora o acerto com a rede Sustentabilidade da ex-petista Marina Silva (AC), está por conta da aproximação da acreana com o seu antigo partido, pelo qual foi senadora e ministra de Lula. Como se vê, é possível que com a Rede falte apenas algum carinho de consolo para o momento certo de um acordo de 1º turno. Randolfe tem muito peso dentro da Rede Sustentabilidade. É o único senador.

PDT pode seguir bloco de Lula depois do carnaval

         Pressões regionais já recaem sobre a direção do PDT. Caciques do partido já pressionam publicamente para que Ciro Gomes desista da sua minguada campanha à Presidência da República. A espera é até o carnaval, nos primeiros dias de março. A senha para a debandada é que o ex-governador cearense atinja no início do próximo mês ao menos 10% das intenções de voto. Caso contrário o PDT deverá seguir no bloco de Lula. Tarefa muito difícil para Ciro que iniciou a campanha marcando entre 10% a 12% e hoje, depois de cerca de um ano, patina na casa dos 7%.

No PSD, Pacheco quer desistir

Lula e Kassab

         No PSD a situação não é muito diferente do PDT. O partido tentou por meses emplacar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que não saiu de 1%. Aliados já veem Pacheco fora da disputa. Mas o PSD, comandado por Gilberto Kassab, deve manter o presidente do Senado como candidato até que costuras sejam feitas por alianças neste ano. 

        Há alguns meses, quando perguntado sobre seu relacionamento político com Kassab, que foi ministro do governo da petista Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula acariciou a barba com mão esquerda e respondeu com um sorriso maroto de conquistador: “Eu estou doido para encontrar o Kassab e dar uns apertos nas bochechas dele”. Se os próximos encontros forem nesse clima é possível que Kassab não resista e até troque a ideia de seu partido concorrer à Presidência por um ministério no terceiro governo Lula.

        Por enquanto, Kassab está na espera dos próximos números das pesquisas. É para onde os números forem,        que certamente é para onde Kassab e o PSD irão. Pesa ainda dentro do PSD a força do senador Omar Aziz (PSD/AM), que já apareceu ao lado de Lula e do deputado federal Marcelo Ramos que deixou o PL após a entrada do presidente Jair Bolsonaro. Marcelo Ramos deve seguir para o PSD e vem demonstrando também querer seguir com Lula. Só esclarecendo: tanto Aziz quanto Ramos são crias políticas do PCdoB.

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