Anne Moura*

            Hoje, dia 07 de fevereiro de 2022, celebra-se mais um Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas. A data foi instituída em 2008, através da Lei 11.696, de autoria do senador do PT-RS Paulo Paim, e foi escolhida em homenagem a liderança indígena guarani, Sepé Tiaraju, morto em 07 de fevereiro de 1756, durante revolta contra o Tratado de Madri, que dividiu o território brasileiro entre portugueses e espanhóis.

            Desde 1500, o povo indígena, o verdadeiro dono das terras brasileiras, luta em defesa de sua própria existência. A resistência do nosso povo existe para que etnias e aldeias do Brasil não sejam dizimadas em nome da cobiça e do desenvolvimento a qualquer custo. Infelizmente, desde 2019, muitos retrocessos vieram à tona em se tratando de direitos humanos. A paralisação da criação de novas unidades de conservação e terras indígenas e o incentivo à invasão hostil de terras já demarcadas é uma característica do governo do atraso que se instalou no Brasil.

            É fato que o discurso de ódio a minorias feito pelo presidente da República vem sendo institucionalizado. Medidas provisórias estão sendo implantadas a fim de oprimir e manipular cada vez mais, aqueles que defendem a floresta e o meio ambiente. Garimpeiros, ruralistas, mineradores e grileiros veem seus caminhos abertos para continuar a exploração desenfreada e agora, regularizada pelo Governo Federal.

            O desmonte da Funai (Fundação Nacional do Índio) que foi transformada em um órgão sem eficiência e sem recursos; o Marco Temporal que prevê que o povo originário comprove a posse de suas terras a partir de outubro de 1988; a PL da grilagem que visa conceder anistia a grileiros e favorece a impunidade de crimes ambientais e; o crescente desmatamento da Amazônia; são apenas alguns exemplos da perda de direitos que esse povo, o nosso povo, vem sofrendo na mão dos negacionistas que comandam o Brasil.

            Por isso, o dia de hoje precisa ser celebrado, exaltado e divulgado. Pois ainda que estejamos vivendo a tentativa de apagamento de nossa cultura, identidade e existência, a luta pela demarcação de terras continua viva. A luta pela existência daqueles que aqui sempre estiveram, continua ecoando e ganhando visibilidade em todo o mundo. Apesar de tanta insegurança e abandono, nosso povo resiste e continuará resistindo, para que o povo brasileiro jamais se esqueça que esta terra pertence e sempre pertenceu aqueles que nunca “chegaram”, mas que sempre estiveram aqui.

Anne Moura – secretária Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores

Deixe uma resposta