A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, precisa de US$ 130 milhões para implementar ações de resposta a situação de seca que atinge o Chifre da África, o extremo nordeste do continente.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, o diretor do Escritório de Emergência e Resiliência, Rein Paulsen, afirmou que o tempo para evitar uma catástrofe está cada vez mais curto. A entidade precisa de fundos até junho para impedir que mais pessoas fiquem expostas à insegurança alimentar grave.

Agravamento da seca

Ao reforçar que os países do Chifre da África, em especial algumas regiões no Quênia, Etiópia e Somália, mostram resiliência ao enfrentar a terceira seca seguida, o representante da FAO destaca que não há mais recursos para mais um ano sem a produção de importantes culturas, bem como insumos para a pecuária.

Segundo Rein Paulsen, o plantio de cereais no Quênia está 70% abaixo da média esperada e mais de 1,5 milhão de animais foram perdidos em toda a região. A consequência é o aumento de pessoas em níveis graves de insegurança alimentar.

O diretor da FAO afirma que atualmente já são entre 12 e 14 milhões de pessoas passando fome. Com o agravamento da crise, os conflitos na região e as consequências da pandemia de Covid-19, o número pode subir para até 20 milhões.

Ações

Rein Paulsen explicou que, de imediato, os investimentos serviriam para comprar alimentos, já que a produção local é insuficiente. Na sequência, iniciativas para manter vivo animais e garantir produção de leite para as crianças.

Por fim, ele afirma que será necessário investimentos em culturas resistentes à seca e suporte ao sistema agrário na região para garantir a produção local.
De acordo com a FAO, o plano apoiaria a produção de até 90 milhões de litros de leite e 40 mil toneladas de alimentos básicos, na primeira metade de 2022, tirando cerca de 1 milhão de pessoas da insegurança alimentar.

Para pecuaristas, o escritório da ONU quer fornecer ração animal e suplementos nutricionais, clínicas veterinárias móveis, transportar reservatórios de água portáteis para áreas remotas e atualizar poços existentes para funcionar com energia solar.

A FAO também pretende distribuir variedades de sorgo, milho, feijões e outras leguminosas de maturação precoce tolerantes à seca para famílias agricultoras. A entidade faz transferências de dinheiro para garantir que os mais vulneráveis possam ter acesso a alimentos.

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