Em extenso relatório sobre as eleições de 2022, os economistas Solange Srour e Lucas Vilela, do banco suíço Credit Suisse, um dos maiores do mundo, destacam em consenso que o ex-presidente será eleito em outubro deste ano e já trabalham analisando as possibilidades de negócios e traçam o possível perfil do possível governo Lula-3.

O consenso é que Lula será pragmático, aprovando reformas e avançando no processo de consolidação fiscal como fez em 2003, e que ele provavelmente não governaria em linhas populistas, como o discurso atual de membros de seu partido sugeririam

“Na verdade, Lula é um político experiente e sabe que, para poder governar o país nos próximos anos, ele precisará manter sua popularidade alta. Dadas as atuais condições econômicas  – crescimento fraco, inflação alta e juros altos, além do aumento da desigualdade de renda e alto endividamento -ele precisaria começar sua administração com alta credibilidade e ação”, avaliam os economistas do banco.

Os economistas lembram que, em junho de 2002, pouco antes da eleição presidencial, Lula escreveu uma “Carta ao Povo Brasileiro”, comprometendo-se a manter o controle das contas públicas e inflação. “Desta vez, não haverá tal carta, mas o fato de que o antigo presidente está fazendo propostas para partidos de centro-direita e direita traz confiança de que ele será pragmático”, avaliam os economistas.

Plano de governo

Lula pontuou a criação de um plano de governo desenvolvimentista e progressista, aumentando investimentos, e usando bancos públicos e empresas estatais. Apesar disso, avaliam os economistas, ele sabe que precisará dosar a intensidade dessas medidas dado o impacto no tripé macroeconômico formado por responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação.

“Isso é especialmente verdade agora que ele conhece os efeitos do enfraquecimento do tripé com a estratégia adotada na economia do governo Dilma Rousseff. Ele também sabe que a radicalização assustaria uma porcentagem de investidores e da comunidade empresarial, piorando sua governabilidade”, avaliam os economistas.

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