Ainda que no início do encontro da sessão de emergência dos 15 países-membros do Conselho de Segurança da ONU, na madrugada desta quinta-feira (24/02), em Nova Iorque, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tenha feito apelo direto para que presidente da Rússia, Vladimir Putin, parasse suas tropas no ataque à Ucrânia, para ‘uma chance à paz’, o líder russo ordenou o bombardeio de áreas ucranianas.

Em comunicado citado pela agência de notícias estatal russa Tass, o Ministério russo da Defesa disse que está usando “armas de alta precisão” para inutilizar a “infraestrutura militar, instalações de defesa aérea, aeródromos militares e aviação das Forças Armadas da Ucrânia”.

“A Rússia lançou ataques contra nossa infraestrutura militar e postos fronteiriços”, disse hoje o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em vídeo divulgado na rede social Telegram. 

Zelensky impôs a lei marcial em todo o território.  Pediu aos ucranianos que evitem “pânico” e confiem na capacidade do Exército para defender o país.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kouleba, acusou a Rússia de ter iniciado “invasão em larga escala”.

“Cidades pacíficas da Ucrânia estão sendo atacadas. Esta é uma guerra de agressão. A Ucrânia vai se defender e vencer. O mundo pode e deve parar Putin. É hora de agir agora”, escreveu Kouleba na rede social Twitter.

Explosões

Foram registadas nesta quinta-feira fortes explosões em pelo menos cinco cidades da Ucrânia, incluindo a capital, Kiev, horas depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter anunciado o início de operação militar no país.

Pelo menos duas explosões foram ouvidas, de madrugada (horário local), no centro de Kiev, tendo sido seguidas pelas sirenes de ambulâncias, segundo jornalistas.

Fontes em Mariupol, no Leste da Ucrânia, disseram à AFP que a cidade portuária foi atingida por bombardeios de artilharia.

Rumores na ONU

Ainda durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, o secretário-geral contou que o dia foi tomado por rumores de uma invasão, mas que ele preferiu não acreditar nos relatos, que foram reforçados por sinais e movimentos na fronteira, como explicou a subsecretária-geral de Assuntos Políticos e Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo.

DiCarlo assumiu a palavra após o secretário-geral dizendo que houve informações sobre bombardeios pesados na linha de contato e de movimento de colunas militares em direção à Ucrânia.

Ela também citou ataques cibernéticos a sites do governo ucraniano e contou que embora não pudesse verificar as informações, havia a confirmação do fechamento do espaço aéreo da Rússia, o que indicava uma ação iminente, que só agravaria uma situação que já é perigosa.

Ao assumir a palavra, os embaixadores da Albânia, dos Estados Unidos, da França, do Reino Unido e da Índia pediram o fim imediato da escalada da violência.

Albânia e Reino Unido disseram que o ataque à Ucrânia era um ataque à Carta das Nações Unidas e à ONU.

O embaixador do Brasil, Ronaldo Costa Filho, disse que ainda havia espaço para a diplomacia porque os meios de negociação ainda não haviam sido esgotados.

Os representantes da Ucrânia e da Alemanha foram convidados para o encontro.

Na entrada da reunião, o embaixador da França contou a jornalistas que o objetivo era propor uma resolução como uma última tentativa de evitar um conflito entre Rússia e Ucrânia.

Assembleia Geral

A representante da Noruega afirmou que o risco de uma guerra na Europa era fruto de uma irresponsabilidade e pediu a Rússia que evitasse o confronto.

Mesmo antes da nova escalada de tensões entre Ucrânia e Rússia, 2 milhões de ucranianos já precisavam de ajuda humanitária.

Na manhã desta quarta-feira, a Assembleia Geral realizou uma reunião sobre a Ucrânia, que recebeu mais de 80 oradores e foi estendida até à tarde em Nova Iorque.

Na segunda-feira, o presidente da Rússia Vladimir Putin disse que reconhecia como “Estados independentes” as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, na Ucrânia.

Uma decisão, que segundo o secretário-geral da ONU é uma violação dos princípios da Carta das Nações Unidas.

Resolução

Durante a reunião, o embaixador da Ucrânia informou que seu país estava sendo atacado. Por causa do conflito, o embaixador da Ucrânia disse que a Rússia deve abandonar a presidência rotativa do Conselho.

Houve mais uma rodada de intervenções por parte dos Estados Unidos, Albânia, Reino Unido, França e Irlanda
No final, o representante ucraniano, Sergiy Kyslytsya, disse que “não existe purgatório para criminosos de guerra” e que “eles vão direto pra o inferno.”

Ao terminar o encontro, o chefe a ONU, António Guterres, falou aos jornalistas que “este era o dia mais triste de seu mandato como secretário-geral.”

Guterres disse que por causa da decisão de Vladimir Putin de realizar uma “operação especial” na Ucrânia, ele apelava diretamente a Putin que levasse suas tropas de volta à Rússia e parasse o ataque.

Antes da reunião ser suspensa, a embaixadora dos Estados Undos informou que uma resolução será apreciada na quinta-feira no Conselho de Segurança.

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