Aqueles que apostaram que o PSD e Gilberto Kassab não marchariam junto com Lula ainda no primeiro turno da eleição presidencial de outubro, devem ir refazendo suas apostas. Rumores na política baiana dão conta de que o grupo político que comanda o governo da Bahia, estado há 15 anos sob o comando do Partido dos Trabalhadores, decidiu que o candidato ao governo do Palácio de Ondina, a sede do governo baiano, será o senador Otto Alencar (PSD). Com o PT ficará a disputa à vaga ao Senado, que será disputada pelo atual governador Rui Costa.

No entanto, dentro do PT, a substituição da pré-candidatura do senador Jaques Wagner (PT/BA) pelo nome de Otto Alencar levou o grupo baiano comandando pelo PT a um racha dentro do Partido dos Trabalhares, após o senador petista anunciar a deputados, nesta quinta-feira (24/02), que não deseja mais ser candidato ao governo. Até então, Jaques Wagner seria o candidato do grupo ao governo e Otto seria candidato à sua reeleição.

Wagner, cujo mandato no Senado vai até fevereiro de 2027, já havia anunciado sua decisão ao ex-presidente Lula.O senador petista se viu obrigado a desistir da candidatura ao governo depois que o governador Rui Costa manifestou o desejo de concorrer ao Senado no lugar que estava destinado a Otto. Ao perceber que Rui Costa se opunha a sua candidatura, Wagner disse a Lula que não teria condições de disputar sem apoio do governador de seu próprio partido.

“Eu acho que essa tese é uma grande barbeiragem política, no meu ponto de vista. O nome que unifica todos os partidos é o de Wagner”, disse o deputado federal Valmir Assunção (PT).

No PT é diferente

Em nota, o deputado federal Jorge Solla (PT) afirma que não reconhece nenhuma decisão que não passe pelas devidas instâncias partidárias.

“O PT é um partido político, diferente de outros, que não tem dono, tem instâncias de decisão que são respeitadas. Conclamo as bancadas federal e estadual do PT, prefeitos e vereadores, dirigentes e militância, a defender a candidatura própria do PT com Wagner governador”, afirmou.

O deputado Valmir Assunção seguiu na mesma linha e lembrou que todas as decisões do PT são debatidas internamente. “Alguém achar que porque é governador ou senador vai decidir algo e o PT não vai debater assunto, é um equívoco”, afirmou.Outra parte da bancada baiana, por outro lado, se mostra conformada com a escolha de Otto Alencar para liderar o grupo.

“Não era o que eu queria, até porque o nome de Wagner estava consolidado. Mas, se ele não está com disposição de encarar a tarefa, que não é pequena, temos que respeitar a decisão dele”, afirma o deputado federal Zé Neto (PT).

Lula amarra PSD e Kassab

Entretanto, por trás da desistência de Jaques Wagner e da candidatura do governador Rui Costa para o Senado Federal estão dois fortes motivos de estratégia para a eleição de Lula e do possível governo federal petista. Por um lado Lula garante um forte espaço para o PSD e para atrair para sua campanha à Presidência da República, ainda no 1º turno, o presidente da sigla Gilberto Kassab. Na outra ponta, deve garantir mais um senador para os inícios dos trabalhos no Congresso de 2023. É como matar “dois coelhos com uma só cajadada”.

Caso a situação se confirme, é tudo o que o ex-presidente Lula poderia desejar de melhor neste momento, no que se refere à Bahia. Ganha um candidato competitivo ao Senado, “amarra” o PSD na tentativa de impedir que o partido de Kassab lance candidatura própria à Presidência da República e também impede que o PSD da Bahia acabe no “colo” do principal concorrente do grupo, o prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), que atualmente lidera a corrida pelo Palácio de Ondina.

Como deve ficar a arrumação na Bahia

Na arrumação final, a cabeça de chapa ao governo da Bahia seria de Otto Alencar (PSD), tendo como vice a prefeita de Lauro de Freitas (BA), Moema Gramacho (PT). O governador Rui Costa concorre ao Senado Federal, o que levará o vice-governador João Leão (PP) ao posto de titular do Executivo baiano por nove meses (abril a dezembro). Outra compensação ao PP seria a suplência de Rui no Senado, considerando que ele pode ser ministro em um eventual governo Lula. Lula sempre afirma que trocaria um governador por um senador. Isso já pode ser ‘favas contadas’ na Bahia, o quarto maior colégio eleitoral do país.

Agora a grande pendência com o PSD de Kassab é Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral. Lá os acertos são com o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD) e o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD), que tem 0,9% na corrida presidencial. Em Minas, Lula lidera com cerca de 37%.

One thought on “Acerto na Bahia deixa Kassab mais próximo de Lula e PT baiano em “pé de guerra””
  1. Sinceramente gostei muito dessa articulação pra mim o Partido dosTrabalhadores sai fortemente fortalecido.

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