Após desembarcar e ser recebido na Cidade do México pelo secretário de Relações Exteriores do México Marcelo Ebrard, nesta terça-feira (01/03) o ex-presidente Lula deu entrevista ao jornal  ‘La Jornada . Na manhã desta quarta-feira (2/03) na capital mexicana, será recebido para reunião pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador.

Ao La Jornada, Lula falou sobre sua candidatura, necessidades de derrotar o bolsonarismo e também sobre a necessidade de paz no mundo. Leia trechos da entrevista.

O que está acontecendo agora em seu país?

-O Brasil está sendo destruído. As pessoas estão empobrecidas… Temos 116 milhões de pessoas vivendo em insegurança alimentar, o Brasil voltou ao mapa da fome. Temos um governo que não governa de verdade, que foca na mentira e não respeita absolutamente nada. Não respeita indígenas, negros, mulheres… e trata governadores e prefeitos como inimigos. Esse governo desastroso, que é resultado direto do sentimento antipolítico de que as elites, com a ajuda dos setores da mídia, plantadas no Brasil, serão derrotadas este ano nas urnas.

A antipolítica, continua Lula, foi a resposta das elites que nunca aceitaram governos que agiam de forma independente e pelos mais pobres. A ideia de que os filhos dos pobres pudessem ingressar nas universidades, graças a programas de ação afirmativa e apoio financeiro, nunca foi aceita pelas elites.

Não conseguindo derrotar democraticamente os governos progressistas, as elites criaram uma espécie de antipolítica e, com o apoio da grande mídia, promoveram o afastamento de Dilma e o processo judicial contra o próprio Lula.

Qual é o resultado disso?

Foi Bolsonaro, que em três anos de governo já teve um impacto tão violento no aumento de mortes que a expectativa de vida dos brasileiros foi reduzida em quatro anos. O Brasil é o segundo país com mais mortes por Covid, há fome e as armas estão espalhadas pela sociedade. Portanto, a rejeição (de Bolsonaro) pelo povo brasileiro é imensa, como mostram todas as pesquisas.

Você já se vê na presidência do Brasil? 
-Já fui candidato muitas vezes e já fui presidente. Eu nunca me veria como presidente antes das eleições, isso seria um grande erro. Sou um ex-presidente que está avaliando, conversando com muitas pessoas (para decidir) se serei candidato novamente, uma decisão que devo tomar quando voltar do México. Eu tenho uma vantagem e um desafio. Tive muito sucesso como presidente, saí com 87% de aprovação, com o Brasil crescendo 7,5% ao ano e um grande papel no cenário internacional. Tudo isso com democracia, liberdade de imprensa, liberdade de expressão. As pessoas se lembram disso. E meu desafio é voltar, fazer melhor do que já fiz, com toda a experiência e aprendizado que tive ao longo dos anos. 
Lula não descarta que as forças conservadoras pretendam impedir sua eventual vitória. A batalha para restaurar a democracia plena no Brasil será difícil, mas estou otimista. O povo brasileiro já está farto dessa anomalia que vivemos e um democrata será eleito em 2022. O desafio de governar e reconstruir o Brasil é maior do que vencer as eleições. 
Vista aérea da Cidade do México
-O que você espera de sua visita ao México? 

-Tenho muitos amigos no México, que vive um momento importante com o governo progressista de Andrés Manuel López Obrador, o popular AMLO. A relação entre Brasil e México é importante por vários motivos, a começar pelo fato de serem os dois maiores países da América Latina. 
Lula acrescenta que López Obrador conseguiu afirmar a autonomia do México sem criar antagonismos, contribuindo para uma relação mais equilibrada em nosso continente, essencial para o desenvolvimento latino-americano. 
É preciso, afirma, ir além da troca comercial. Precisamos trabalhar em um mundo de cooperação, equilíbrio e paz, com instituições internacionais representativas e eficazes. Os problemas ambientais, especialmente o aquecimento global, a pandemia e as desigualdades brutais dentro e entre países, exigem uma profunda reforma da governança global. A América Latina deve estar unida neste esforço por um mundo que quer a paz e não pode mais suportar a guerra.

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