Após sua viagem ao México, a partir desta segunda-feira (07/03), o ex-presidente Lula, o PT e seus apoiadores começarão a consolidar o até agora esboço e especulações sobre o tamanho da ‘cavalaria’ que Lula conseguiu aglutinar para disputar a Presidência da República. A viagem ao México marca o fim dos ‘treinos’ e início da ofensiva final que certamente levará o petista ao seu terceiro mandato frente à gestão do governo brasileiro.

Sua eleição é dada como certa. Mas agora será configurada a possibilidade se a eleição acontecerá no primeiro ou segundo turno. A pouco mais de seis meses para as eleições, ainda falta o PT informar que o ex-presidente será o candidato do partido, se Lula aceita o desafio e quem será o candidato a vice. Tudo, formalidade. Mas que dará dados para análises, ‘degustação’ da chapa pelos brasileiros e também indícios do tamanho do Congresso Nacional que Lula terá a partir de 2023.

Lula e Alckmin

A espera é que do ponto de vista burocrático não se tenha grandes novidades. Lula será candidato à Presidência e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin deverá ser o vice.  Mas junto ao eleitorado o impacto da apresentação da candidatura e apresentação do candidato a vice deve surtir grande impacto, o que renderá ao petista alguns pontos a mais nas pesquisas eleitorais, um grande impulso para atrair políticos e partidos ainda relutantes em apoiar a candidatura petista no primeiro turno, como o PSD, MDB entre outros.

No embalo positivo desses eventos, Lula viajará para o Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Rio tentará desatar o nó entre o prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) e o indicado por Lula para disputar o governo do Estado, o deputado federal Marcelo Freixo (PSB). O Rio de Janeiro é o terceiro maior colégio eleitoral, atrás de São Paulo e Minas Gerais. Daí o grande esforço de Lula pela união entre a força de seus apoiadores.

Lula e Freixo em Brasília

Levando em consideração as últimas pesquisas, a região Sul também será próspera para Lula. No Rio Grande do Sul, pesquisa do Instituto Atlas, divulgada em dezembro, indicou o petista com larga vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro. Lula teria 44,2% contra 31,5% de Bolsonaro.

O PT também liderava entre as figuras políticas com maior preferência do eleitorado. Lula empata com o governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), com 47% de avaliação positiva. Em terceiro lugar, apareceu o ex-governador Olívio Dutra (PT), com 45%.

Pesquisas no Estado do Paraná também registram vantagem para o petista. Lá, Lula aparece com 34%, Bolsonaro 32,4% e Sergio Moro 11,9%. Lembrando que Maringá (PR) é a cidade natal de Sergio Moro. Daí os quase 12% de intenções de votos do ex-juiz. Mas não há polarização de Lula com Moro. A polarização do ex-juiz acontece com Ciro Gomes, no segundo escalão, na disputa pelo terceiro lugar.

Na região Sul, a maior dificuldade de Lula será em Santa Catarina, governado por Carlos Moisés, sem partido, mas que foi eleito pelo PSL, o mesmo partido pelo qual foi eleito Bolsonaro.

Em Minas Gerais, Lula aparece com grande vantagem sobre Bolsonaro. Minas é o segundo maior colégio eleitoral. Em pesquisa do instituto F5 Atualiza Dados,  divulgada dia 21/02, o petista aparece com 36,1% e Bolsonaro 27,7%.

Kassab com Lula

Em Minas, a expectativa é que o PT feche aliança em torno da candidatura do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). Por lá, pesquisas de consumo interno, indicam que Kalil ganha significativa musculatura política quando fica ao lado de Lula. Isso pode ser decisivo para o fechamento de aliança no Estado. Lula e Kalil conversaram (presencialmente) no dia 24 de fevereiro. O fechamento dessa aliança, com apoio de Lula a Kalil, será a segunda e fundamental sinalização do petista para atrair o PSD de Gilberto Kassab à campanha presidencial de Lula ainda no primeiro turno.

A outra sinalização a Kassab, já foi sacramentada, que foi o aval de Lula à candidatura do senador Otto Alencar (PSD) ao governo da Bahia, sacrificando a hegemonia de 15 anos de governos petistas. O sacrifício de Lula e do PT é na esperança de eleger o atual governador Rui Costa (PT) para o Senado da República e ganhar o apoio de Kassab. Se o apoio vier, Lula aumenta as chances de faturar a Presidência ainda no primeiro turno. Caso contrário, quer contar com Kassab e PSD para apoio a partir de 1º de janeiro de 2023. Daqui a 10 meses. Por tudo isso, a semana que se inicia deverá ser superquente e de muito corre-corre nos bastidores do PT e dos apoiadores de Lula.

Franco Silva – Direto do lago Sapucuá (Oeste do Pará)

Deixe uma resposta