A forte e sólida militância de esquerda, o carisma de Lula e legado dos governos petistas, vêm sendo até agora a muralha que impede a estratégia bolsonarista de atingir Lula com fake news, críticas, associá-lo ao comunismo ou de jogá-lo como alguém que não dá valor à boa formação e construção familiar.

“A tal terceira via ensaia o voto nulo, que somente favorece o ex-presidiário que tem uma militância sólida, que não se omite em horas decisivas”, postou no Twitter, sexta-feira (04/03) o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro. No mundo político, o vereador filho do presidente é conhecido por ser um dos comandantes do chamado ‘gabinete do ódio’, um agrupamento bolsonarista que age principalmente no submundo das fakes News. Mas a frase do post de Carlos Bolsonaro demonstra as dificuldades que a tropa de choque bolsonarista está encontrando no enfrentamento à militância petista.

Outdoor contra Lula em cidades médias

Também na manhã de sexta-feira (04/03), foi retirado da entrada da cidade de Parauapebas (PA) um outdoor que criticava o ex-presidente Lula. O outdoor teria sido instalado na última quinta-feira (3). Após os apoiadores dos dois políticos serem informados sobre o cartaz, a repercussão foi grande e a peça publicitária com os dizeres: “Parauapebas. Aqui esse cidadão é reconhecido como ‘o traidor da pátria’. Você não é bem-vindo. #Fechadocombolsonaro2022″, foi retirado.

Parauapebas é o quinto município paraense em população com 218 mil habitantes. Trata-se de um município próspero economicamente. É em seu território que está instalado o Projeto Carajás, da Companhia Vale, que explora principalmente minério de ferro destinado a exportação.  

Outdoor contra Lula foi ao chão antes da inauguração

Deputado bolsonarista Delegado Claudinei segura o que restou do outdoor criticando Lula

Não muito longe dali, em Rondonópolis (MT), em movimento sincronizado com os bolsonaristas paraenses, o Movimento Conservador de Direita de Rondonópolis, formado principalmente por ruralistas chegou a instalar também um outdoor similar ao de Parauapebas, chamando Lula de bandido e traidor.

Mas no dia da inauguração, 21 de fevereiro, quando o deputado estadual bolsonarista, Delegado Claudinei, chegou ao local para gravar um vídeo, só encontrou a estrutura do imenso cartaz. A lona impressa estava rasgada ao chão. A Claudinei restou apenas fazer uma foto com os pedaços de lona nas mãos e postar em suas redes sociais.

O município de Rondonópolis, de 239 mil habitantes, é um conhecido polo do agronegócio do Centro-Oeste, com grande produção de grãos para exportação.

Bolsonaristas pouco podem fazer

Os casos de Parauapebas e Rondonópolis são dois exemplos de iniciativas bolsonarista, para cidades de porte médio, que pretendiam de forma sincronizada minar a candidatura petista à Presidência da República. Mas que não deram certo porque esbarram na sólida militância petista. Porém ninguém sabe quem retirou e rasgou o outdoor de Rondonópolis. Sabe-se quem instalou e pagou. De qualquer maneira, são dois exemplos que demonstram claramente que esta eleição não será igual àquela que passou.

São também exemplos do fracasso da estratégia bolsonarista e que remetem à conclusão que até o dia 2 de outubro, Bolsonaro e suas milícias físicas e digitais pouco podem fazer para minar negativamente Lula.

Fakes News não funcionarão com o petista por dois principais motivos: Lula já governou 8 anos o Brasil e não levou o país ao comunismo, não substituiu a bandeira nacional, nem lutou para degradação das família brasileiras. Pelo contrário sempre foi um bom exemplo de filho, esposo, pai e avô. Esses são os principais temas mais utilizados pelas milícias para aterrorizar parte da população a não aderir ao petismo. Em uma parcela de mais ou menos 10% a 15% dos brasileiros, isso funciona. Mas é só.

É uma parte da população, principalmente formada por lideranças (militares ou não) saudosas e dependentes das mamatas sem importunações fiscalizatórias comuns nas ditaduras, no caso a ditadura militar brasileira (1964-1985). Essas lideranças além do seu apoio juntam ao seu entorno esses 10% a 15% de votos. Ou outros 10% a 12% que Bolsonaro terá na eleição são de vulneráveis ou sensíveis a algumas ações do governo do capitão.

Quanto a Lula que já navega na altura de cruzeiro, precisará de pouco ‘combustível’ para formar um grande movimento democrático para tirar Bolsonaro do Planalto e esse ‘combustível’ virá ou não a partir desta semana que se inicia com a volta do petista da viagem ao México. O mais provável é que, motivados pelos resultados das pesquisa e da influência de Lula nos resultados eleitorais regionais, esse combustível chegue. As articulações petistas demonstram isso, como é o caso das arrumações com o PSB, Rede, PSD, MDB e outros.

Franco Silva – Direto do lago Sapucuá (Oeste do Pará)

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