O relatório anual do Comitê Internacional para Controle de Narcóticos da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado esta quinta-feira (10/03), mostra um aumento das evidências comprovando a ligação entre exposição às redes sociais e uso de drogas.

Isso afeta de forma desproporcional os jovens, que são os que mais usam as plataformas de mídia social, além de formarem o grupo com as maiores taxas de abuso de drogas. 

Sociedades minadas pelo tráfico de drogas 

O documento também pede ao setor privado para moderar e regulamentar suas plataformas e limitar a publicidade e a promoção do uso de drogas para fins não-medicinais.

Segundo o Comitê, criminosos estão explorando várias ferramentas digitais, como criptomoedas, pagamentos pelo telefone e carteiras digitais. São sistemas que facilitam a transferência de dinheiro, permitindo com que as origens de fundos ilegais fiquem escondidas ampliando assim os lucros. 

Corrupção 

O crime organizado continua fazendo milhões de dólares com o tráfico de drogas, alerta o relatório. As consequências negativas afetam sociedades e o desenvolvimento econômico, com corrupção e suborno, além do aumento da violência, da pobreza e das desigualdades. 

Para conter os impactos negativos, a entidade recomenda que os governos tratem de todos os estágios do tráfico de drogas – desde a produção e cultivo até a venda e ocultamento dos lucros ilegais – e compartilhe as investigações sobre crime organizado a nível internacional.

A presidente do Comitê Internacional para Controle de Narcóticos, Jagjit Pavadia, afirmou que “esses grupos dependem dos fluxos ilícitos de dinheiro para ampliar e manter as atividades criminosas”. 

Países em desenvolvimento são os mais afetados 

Foto: © UNICEF/Giacomo Pirozzi
Uso de drogas entre adolescentes é problema sério em todo o mundo.

Esses fluxos acabam tirando recursos de iniciativas para reduzir a pobreza e promover desenvolvimento econômico e social, o que acaba tendo um efeito desproporcional em nações em desenvolvimento, que são as que mais precisam de financiamento para reduzir desigualdades e promover crescimento econômico. 

Em países africanos, por exemplo, o custo do crime organizado é especialmente alto: US$ 88,6 bilhões, ou 3,7% do PIB do continente, são perdidos, todos os anos, para fluxos financeiros ilícitos. Este volume é praticamente o mesmo obtido anualmente com investimento estrangeiro direto para assistência ao desenvolvimento. 

O relatório nota ainda que a legalização da cannabis em vários países é motivo de preocupação, sendo que a presidente do Comitê afirma que permitir o uso para fins não-medicinais “contradiz as convenções de controle de drogas”. 

O documento também destaca a necessidade de entendimento coletivo sobre os conceitos de legalização, descriminalização e fim da penalização de acordo com as convenções para o controle de drogas e enfatiza a importância de uma resposta equilibrada sobre crimes ligados às drogas, com respeito aos direitos humanos. 
Os criminosos continuam com acesso fácil, no mercado legal, aos produtos químicos necessários para a fabricação de narcóticos. O Comitê sugere mais controle e regulamentação sobre a venda desses químicos, citando uma pesquisa de 2021, que mostrou falhas significativas no controle da fabricação doméstica, comércio e distribuição dessas substâncias. 

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