A crise na Ucrânia voltou ao debate nesta sexta-feira (11/03) em encontro de emergência do Conselho de Segurança.

Na sessão realizada a pedido da Rússia, discursaram a alta representante para Assuntos de Desarmamento, Izumi Nakamitsu, e a subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo.

Armas biológicas

Sobre relatos dando conta de programas de armas biológicas, a chefe dos Assuntos de Desarmamento disse que as Nações Unidas não estão cientes de quaisquer iniciativas desse gênero.

Izumi Nakamitsu  ressaltou que tal se deve, em grande parte, à Convenção de Armas Biológicas de 1972. O tratado proíbe o desenvolvimento, a produção, a aquisição, a transferência, o armazenamento e o uso do tipo de armamento.

A alta representante enfatizou ainda que as armas biológicas são proibidas desde 1975, quando entrou em vigor o tratado que define o tipo de armas como universalmente “abomináveis ​​e ilegítimas”. Pelo menos 183 Estados aderiram à Convenção da ONU de Armas Biológicas.

Instalações nucleares

Mas Nakamitsu pediu que seja abordada “a  questão preocupante da segurança das centrais nucleares na Ucrânia”, destacando que é preciso evitar um acidente envolvendo o tipo de instalações pelas graves consequências para a saúde pública e o ambiente.

A possibilidade de um acidente causado por uma falha na energia de um reator, abastecimento ou a incapacidade de fornecer manutenção regular está crescendo a cada dia.

Já a chefe dos Assuntos Políticos disse ter recebido relatos confiáveis ​​sobre uso de munição de fragmentação por forças russas na Ucrânia,  inclusive em áreas povoadas.

Rosemary DiCarlo ressaltou  a proibição desses ataques indiscriminados pelo Direito Internacional Humanitário, incluindo aqueles em que se usa o tipo de armamento para atacar alvos militares, populações ou bens civis sem distinção.

Crimes de guerra

DiCarlo disse que a lei proíbe o lançamento deste tipo de ataques contra civis e bens da população, bem como bombardeios de áreas em cidades e aldeias advertindo que podem ser considerados crimes de guerra.

Para a representante da ONU, a necessidade de negociações para acabar com a guerra na Ucrânia “não pode ser mais urgente”.

Depois de três rodadas de conversações entre delegações ucranianas e russas, o apelo é que tais esforços se intensifiquem.

Uma das prioridades seria garantir ainda mais acordos humanitários e de cessar-fogo.

Maternidade em Mariupol

A chefe dos Assuntos Políticos defende que a “lógica do diálogo e da diplomacia deve prevalecer sobre a lógica da guerra”.

A Organização Mundial da Saúde confirmou 26 ataques a unidades, profissionais de saúde e ambulâncias como 12 mortes e 34 feridos.

A série de incidentes inclui o bombardeio da maternidade em Mariupol na quarta-feira.

Estima-se que o número de refugiados ucranianos atingiu 2,5 milhões de pessoas e continua aumentando a cada dia.

As Nações Unidas revelaram ainda que 51 mil pessoas foram evacuadas através de cinco das seis passagens seguras acordadas entre as duas partes. O conflito já causou mais de 1.546 vítimas civis, incluindo 564 mortos e 982 feridos desde 24 de fevereiro.

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