“Isso é algo totalmente desproposital. As Forças Armadas têm se mantido dentro dos limites dos deveres constitucionais dela, têm agido dessa forma ao longo de todo esse período, desde o término do período de presidentes militares. As Forças Armadas não se meteram em nenhum processo eleitoral. Fomos aí, ao longo de 12 anos, 13 anos, governados pela esquerda, pelo PT, sem problema nenhum.”

A frase é do vice-presidente da República, general de reserva, Hamilton Mourão, em entrevista ao portal Metrópoles, dia 9 de março. Em seguida, o vice-presidente embarcou para a posse do ativista socialista chileno Gabriel Boric.

Na posse do novo presidente chileno, além de Mourão, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, a escritora Isabel Allende, filha do primo de Salvador Allende, presidente socialista derrubado pelo golpe militar chileno de 1973 e muitas lideranças de ONGs de perfis esquerdistas. Um ambiente hostil a Mourão, que ainda teve que ouvir um “Fora Bolsonaro”. Deve ter gostado. Não se “bica com Bolsonaro” desde que assumiram a Presidência. Mas estava lá representando o governo brasileiro.

Dilma com Gabriel Boric

Hamilton Mourão representou o governo brasileiro na posse do novo presidente chileno Gabriel Boric

De volta ao Brasil e após muita pressão bolsonarista, neste domingo (13/03), o vice-presidente negou que suas palavras ao Metrópoles tenha sido um aceno ao ex-presidente Lula (PT).

“Quem pensa que estou abrindo a porta dos quartéis para Lula e PT desconhece a minha história e o papel das Forças Armadas, em especial do Exército Brasileiro. Continuo firme, afirmando que o governo do PT foi catastrófico para o Brasil e que o retorno ao poder trará retrocessos”, postou Mourão.

Claro que o post foi muito mais para acalmar os ânimos de amigos seus aliados de Bolsonaro (blefe). Mourão é um esperto general de reserva de 68 anos. Ninguém chega a esse posto nas Forças Armadas e a vice-presidente da República sem grandes habilidades políticas. Não basta só méritos.

Pergunta pelo Metrópoles se havia recebido algum pedido de interlocução do ex-presidente petista com referência a aproximação de Lula com o Alto Comando das Forças Armadas, Mourão respondeu que não. “Não, comigo não. Nada. Zero”. Mas nos bastidores, sabe-se de muitos encontros entre aliados petistas e membros das Forças Armadas. Muitos já dão como certa a vitória do petista e preparam sua volta. Entretanto, Mourão pode não participar desses encontros. Mas que sabe. Sabe.

Se não forem burros, milionários votam em Lula

Também neste domingo (13/03) em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo,o empresário e mega investidor Ricardo Semler, fez apelo a seus pares, principalmente a milionários jovens e pediu união em torno do ex-presidente Lula (PT) para evitar que o Brasil se torne um pária internacional em caso de vitória de Jair Bolsonaro.

“O que espanta é ver colegas da elite não se mobilizando para terminar com o reinado (de Bolsoanro) em vigor. É hora de empresários importantes e as centenas de jovens milionários se associarem para evitar o pior. Chega de centrão ou acreditar que a direita de baixo intelecto é uma solução para o país”, escreveu.

“Há alguns anos estava óbvio que a elite seria omissa, o que levaria a um Brasil humilhado, mais pobre e de baixo QI. A ideia de que Paulo Guedes, de pouca competência e alta vaidade, seria o porto seguro dos empresários já era risível. Agora, a obstinada procura míope pela terceira via continua criando um risco substancial à nação”, prossegue. 

“Lula (PT) segue líder nas pesquisas, mas há sinais de que sua vitória pode estar em perigo. A jogada do Auxílio Brasil, obtida com ampla corrupção no Congresso, ainda não fez efeito —nem o fim da pandemia, com o aumento de empregos que virá junto”, acrescenta. Semler também alerta que se ele [Bolsonaro] se reeleger, o Brasil vai para a categoria de “rogue country” —pária institucional.

“Repete-se a ladainha do perigo vermelho e outras posições ignorantes —ora, o PT nada mais é do que um socialismo brando europeu. A opção, aliar-se ao que o Brasil tem de mais corrupto e sórdido, o centrão, é miopia medonha. É hora de negociar com Lula um Arminio Fraga, um Pedro Malan ou um Pérsio Arida. Hora de financiar um caminho saudável, manifestar-se contra a barbárie burra em que nos metemos por falta de visão”, lamenta o empresário.

Tanto a manifestação do vice-presidente Hamilton Mourão de classificar como “totalmente desproposital” as Forças Armadas de não aceitarem a vitória de Lula nas urnas, como do empresário e investidor  Ricardo Semler de convocar seus pares milionários a se engajarem na campanha e votarem em Lula, são sinais de que a vitória de Lula bate “a porta” e que os dias de Bolsonaro como presidente da República estão contados: 203 dias.

Franco Silva: Direto do lago Sapucuá (Amazônia Viva)

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