O Conselho de Segurança da ONU realizou esta quinta-feira (17/03) uma reunião de emergência sobre a Ucrânia para debater a questão humanitária.

Com os ataques à diversas cidades ucranianas, a subsecretária-geral para os Assuntos Políticos e Operações de Paz, Rosemary DiCarlo, destacou a dificuldade de acesso da ajuda humanitária. 

Intensificação do conflito

Ela reforçou que, desde o início da agressão russa à Ucrânia, em 24 de fevereiro, 1,9 mil civis foram atingidos. 

De acordo com os dados do Escritório de Direitos Humanos da ONU, até esta segunda-feira, os ataques já haviam deixado 726 mortos, incluindo 52 crianças, e mais de mil pessoas foram feridas. 

As Nações Unidas alertam que “o número real de vítimas pode ser muito maior”.

Rosemary DiCarlo reforçou que a prioridade da ONU e seus parceiros é seguir atuando no país e “alcançar pessoas isoladas pelos bombardeios em andamento, inclusive no leste da Ucrânia”, região de Donetsk e Luhansk.

Ela adicionou que, para esse fim, as Nações Unidas devem seguir ampliando as operações no terreno, “conforme as circunstâncias permitirem”. A subsecretária destacou que a situação requer “um processo político sustentável e significativo para permitir que haja um acordo”. 

A representante lembrou que a vida de milhões de ucranianos, a paz e a segurança de toda a região, e possivelmente além, dependem dessa coordenação política para pôr fim a violência.

Saúde 

Foto: © UNICEF/Viktor Moskaliuk

Menino de 9 anos com câncer chega em hospital em Lviv durante conflito na Ucrânia.


Na sessão, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, ecoou o apelo urgente ao Conselho para trabalhar por um cessar-fogo imediato e uma solução política. Aos doadores, Tedros Ghebreyesus pediu apoio à resposta humanitária, tanto na Ucrânia como nos países vizinhos.

Tedros também falou sobre a dificuldade de acesso humanitário da OMS em algumas regiões. Hoje, um carregamento da entidade com mantimentos médicos foi impedido de acessar Sumy, cidade próxima a fronteira com a Rússia.

O chefe da agência destacou ainda que embora a Ucrânia esteja no foco das atenções do mundo, há outras crises pelo mundo que precisam ser debatidas. Ele citou a situação alarmante em países como Afeganistão, Etiópia, Síria e Iêmen

Refugiados

O alto comissário adjunto de Operações, Raouf Mazou, lembrou que a guerra no país do leste europeu já se tornou a crise de refugiados mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. 

Em menos de um mês, o número de pessoas deixando o país passou de 500 mil para mais de 3 milhões.

O vice-chefe da agência da ONU para refugiados disse que mais que 90% das pessoas que estão deixando o país em busca de abrigo são mulheres e crianças. Ele enfatizou que vem crescendo o risco de violência baseada no gênero e outras formas de exploração e abuso, incluindo o tráfico humano.

Seu apelo aos países de acolhimento é que mantenham suas fronteiras abertas a todos os que fogem da Ucrânia, incluindo os estrangeiros “que devem continuar a ser recebidos sem qualquer discriminação.”

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