A pouco mais de seis meses para as eleições, a julgar pelas pesquisas de opinião e pelos resultados nas redes sociais e nas ruas, o bolsonarismo já perdeu para Lula os primeiros rounds na corrida pelo Palácio do Planalto. Pesquisa FSB/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira (21/03) revela que 59% dos entrevistados que recebem o auxílio Brasil dizem que vão votar em Lula. Apenas 17% dos beneficiários dizem que vão votar em Bolsonaro e 22% citaram outros candidatos. Nas redes sociais, as fakes News também não surtem o efeito esperado pelo bolsonarismo e nas ruas, outdoors com tentativa de denegrir a imagem do líder petista, são retirados pela justiça ou arrancados por “forças ocultas”.

No caso do Auxílio-Brasil, que seria o grande trunfo de Bolsonaro para recuperar terreno na camada mais pobre da população, o resultado sob o ponto de vista eleitoral é pífio e não surtiu o efeito esperado nem mesmo entre os amigos e familiares daqueles que já vêm recebendo o auxílio. Entre aqueles que não são cadastrados no programa, mas têm alguém da casa que recebe, 58% afirmaram que irão votar em Lula, enquanto 25% escolheram Bolsonaro. Os 15% restantes citam outros candidatos.

O governo federal começou a pagar Auxílio Brasil, no valor de R$ 400, no final do ano passado. No entanto, o novo programa deixou de fora 29 milhões de famílias que recebiam o auxílio emergencial.

Lula é o mais preparado

A pesquisa também detectou que 51% dos eleitores apontam Lula como o candidato mais preparado para reduzir a pobreza, contra 23% que preferem Bolsonaro. Outros candidatos somaram 17%, nenhum, 7%, e 5% não souberam ou não responderam. Os eleitores também apontaram Lula como o mais indicado para manter ou ampliar programas sociais (49%), criar empregos (47%) e controlar o aumento dos preços (43%).

O petista também lidera como o melhor nome para promover o crescimento da economia brasileira (42%); reduzir impostos (42%) e combater a pandemia (36%). No quesito combate à corrupção, Lula e Bolsonaro aparecem praticamente empatados, com 30% e 29% respectivamente.

Saudade do “tempo de Lula” e aperto no bolso

Pesquisa Genial/Quaest divulgada na quinta-feira (17/03) indica que 63% dos entrevistados votarão no ex-presidente devido à sua boa gestão durante seus dois mandatos frente à Presidência da República. 58% afirmaram que votarão no petista levados pela situação econômica pessoal e 48% dizem que buscam em Lula melhoras na situação econômica do país.  Nos mesmos quesitos, o presidente Jair Bolsonaro ficou com 19%, 20% e 20% respectivamente.

O levantamento fez 12 perguntas para saber quais as razões para que o eleitor cravasse seu voto em determinado candidato. As cinco principais razões foram preocupação com a situação econômica do país, boa gestão no passado, se o candidato é honesto, proposta do candidato e situação econômica pessoal.   

O ex-presidente petista também é o preferido entre todos os graus de escolaridade, sendo que os eleitores com até o ensino fundamental são os que darão (56%) maior volume de votos a Lula, contra 18% a Bolsonaro. Com ensino médio completo ou incompleto, 39% para Lula e 31% para Bolsonaro. Com ensino superior completo ou incompleto ou com mais estudos, Lula ficará com 34% e Bolsonaro 28%.

Militância barra bolsonarismo de avançar sobre Lula

A pouco mais de seis meses para o primeiro turno das eleições, já dá para sentir um pouco de como serão os enfrentamentos entre petistas e bolsonaristas por espaços políticos e pela simpatia dos brasileiros. Quatro recentes eventos que ao primeiro momento podem passa despercebidos dão um pouco a dimensão de como a ofensiva bolsonarista pretende minar Lula e como está o clima no “gabinete do ódio”, comandado pelo vereador Eduardo Bolsonaro   

A forte e sólida militância de esquerda, o carisma de Lula e legado dos governos petistas, vêm sendo até agora a muralha que impede a estratégia bolsonarista de atingir Lula com fake news, críticas, associá-lo ao comunismo ou de jogá-lo como alguém que não dá valor à boa formação e construção familiar.

“A tal terceira via ensaia o voto nulo, que somente favorece o ex-presidiário que tem uma militância sólida, que não se omite em horas decisivas”, postou no Twitter, sexta-feira (04/03) o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro. No mundo político, o vereador filho do presidente é conhecido por ser um dos comandantes do chamado ‘gabinete do ódio’, um agrupamento bolsonarista que age principalmente no submundo das fakes News. Mas a frase do post de Carlos Bolsonaro demonstra as dificuldades que a tropa de choque bolsonarista está encontrando no enfrentamento à militância petista.

Nas ruas

Também na manhã de sexta-feira (04/03), foi retirado da entrada da cidade de Parauapebas (PA) um outdoor que criticava o ex-presidente Lula. O outdoor teria sido instalado na última quinta-feira (3). Após os apoiadores dos dois políticos serem informados sobre o cartaz, a repercussão foi grande e a peça publicitária com os dizeres: “Parauapebas. Aqui esse cidadão é reconhecido como ‘o traidor da pátria’. Você não é bem-vindo. #Fechadocombolsonaro2022″, foi retirado.

Parauapebas é o quinto município paraense em população com 218 mil habitantes. Trata-se de um município próspero economicamente. É em seu território que está instalado o Projeto Carajás, da Companhia Vale, que explora principalmente minério de ferro destinado a exportação.  

Outdoor contra Lula foi ao chão antes da inauguração

Não muito longe dali, em Rondonópolis (MT), em movimento sincronizado com os bolsonaristas paraenses, o Movimento Conservador de Direita de Rondonópolis, formado principalmente por ruralistas chegou a instalar também um outdoor similar ao de Parauapebas, chamando Lula de bandido e traidor.

Mas no dia da inauguração, 21 de fevereiro, quando o deputado estadual bolsonarista, Delegado Claudinei, chegou ao local para gravar um vídeo, só encontrou a estrutura do imenso cartaz. A lona impressa estava rasgada ao chão. A Claudinei restou apenas fazer uma foto com os pedaços de lona nas mãos e postar em suas redes sociais.

O município de Rondonópolis, de 239 mil habitantes, é um conhecido polo do agronegócio do Centro-Oeste, com grande produção de grãos para exportação.

Situação parecida aconteceu em Ariquemes (RO). Lá, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) determinou nesta segunda-feira (21/03), que um outdoor contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja removido em até 36 horas. Segundo a decisão, o material impresso compõe uma “propaganda eleitoral antecipada negativa conta o pretenso pré-candidato (Lula) a Presidência”.

Campanhas eleitorais serão permitidas apenas a partir de 16 de agosto deste ano, conforme decidiu o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), por isso, o TRE decidiu que cabe ao empresário que financiou a impressão das imagens remover o outdoor, não a gráfica que estampou o material. Caso o empresário não realize o orientado pelo Tribunal, ele poderá pagar multa ou responder à polícia.

Bolsonaristas pouco podem fazer

Os casos de Parauapebas, Rondonópolis e Ariquemes são três exemplos de iniciativas bolsonarista, para cidades de porte médio que pretendiam de forma sincronizada minar a candidatura petista à Presidência da República. Mas que não deram certo porque esbarram na sólida militância petista ou na Justiça Eleitoral. Porém ninguém sabe quem retirou e rasgou o outdoor de Rondonópolis. Sabe-se quem instalou e pagou. De qualquer maneira, os casos de Parauapebas, Ariquemes e Rondonópolis, são exemplos que demonstram claramente que esta eleição não será igual àquela que passou (2018).

São também exemplos do fracasso da estratégia bolsonarista e que remetem à conclusão que até o dia 2 de outubro, Bolsonaro e suas milícias físicas e digitais pouco podem fazer para minar negativamente Lula.

Fakes News não funcionarão com o petista por dois principais motivos: Lula já governou 8 anos o Brasil e não levou o país ao comunismo, não substituiu a bandeira nacional, nem lutou para degradação das família brasileiras. Pelo contrário sempre foi um bom exemplo de filho, esposo, pai e avô. Esses são os principais temas mais utilizados pelas milícias para aterrorizar parte da população a não aderir ao petismo. Em uma parcela de mais ou menos 10% a 15% dos brasileiros, isso funciona. Mas é só.

É uma parte da população, principalmente formada por lideranças (militares ou não) saudosas e dependentes das mamatas sem importunações fiscalizatórias comuns nas ditaduras, no caso a ditadura militar brasileira (1964-1985). Essas lideranças além do seu apoio juntam ao seu entorno esses 10% a 15% de votos. Ou outros 10% a 12% que Bolsonaro terá na eleição são de vulneráveis ou sensíveis a algumas ações do governo do capitão.

Quanto a Lula que já navega na altura de cruzeiro, precisará de pouco ‘combustível’ para formar um grande movimento democrático para tirar Bolsonaro do Planalto.

Franco Silva – Direto do lago Sapucuá (Oeste do Pará)

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