O Escritório de Direitos Humanos da ONU recebeu relatos, baseados em imagens de satélite, sobre uma vala comum com centenas de corpos na cidade portuária de Mariupol, na Ucrânia. A informação foi dada pela perita Matilda Bogner, durante reunião com jornalistas nesta sexta-feira. 

Bogner explicou que uma das imagens, obtida através de informação de satélite, mostra aparentemente 200 pessoas enterradas numa vala comum. Ela ressaltou que isso não significa que todos os corpos sejam civis, porque ao ser documentado esse dado não são incluídos militares e pessoas morrendo de outras razões além dos confrontos diretos.

Armas

Matilda Bogner chefia a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos na Ucrânia. Segundo ela, os efeitos são “desastrosos para os civis e os direitos humanos” à saúde, alimentação, água, educação e habitação.

A ONU emitiu um comunicado condenando ainda o “uso imenso” de armas explosivas em áreas povoadas por forças militares envolvidas na guerra, que já dura um mês. 

Os armamentos são mísseis, granadas de artilharia pesada e foguetes, bem como ataques aéreos. Pelos relatos, os ataques ocorrem contra casas e prédios residenciais e administrativos, instalações médicas e educativas, estações de abastecimento de água, e sistemas de eletricidade destruídos em grande escala.

O Escritório de Direitos Humanos destaca que a metodologia da ONU na contagem de baixas no conflito da Ucrânia forneceu um total “muito baixo” de vítimas confirmadas em Mariupol, em grande parte devido às dificuldades de acesso ao local.

Combates

A chefe dos peritos, Matilda Bogner, contou que líderes do Concelho em Mariupol creem que mais de 2 mil pessoas foram mortas na cidade desde o início da ofensiva da Rússia em 24 de fevereiro. 

No geral, a ONU contabilizou pelo menos 1.035 civis mortos na Ucrânia neste período e 1.650 feridos. Bogner disse não haver “uma ideia completa dos locais que tiveram combates intensos, em particular Mariupol e Volnovakha”.

O grupo de peritos da ONU investiga relatos de bombardeios indiscriminados pelas forças armadas ucranianas em Donetsk e em outros territórios controlados pelas autoproclamadas “repúblicas”. 

A representante disse que esses atos podem ser considerados crimes de guerra. 

Desde o início da operação, há dados de “forças russas atirando e matando civis em carros durante as evacuações, sem tomar precauções viáveis ou aviso prévio eficaz”. 

Pontos de vista

Outras alegações apontam para a morte de “civis, inclusive durante reuniões pacíficas, além de assassinatos em território controlado pelo governo devido à suposta afiliação com forças russas ou apoio a pontos de vista pró-russos.”

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, estima que mais de um quarto da população, ou 10 milhões de pessoas, foi forçado a fugir para salvar suas vidas. São mais de 6,5 milhões de deslocados e 3,7 milhões de vítimas que deixaram o país.

Cerca de 13 milhões estariam retidas em áreas afetadas pelos confrontos ou não podem para sair da Ucrânia devido a grandes riscos de segurança, destruição de pontes e estradas. Outras barreiras são a falta de recursos ou informações sobre onde encontrar segurança e acomodação.

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