No Brasil quem não tem dívidas ou nunca renegociou uma dívida? Poucos, muito poucos. Em maio de 2021, por exemplo, a Editora Abril, proprietária da revista Veja tinha uma dívida de R$ 830 milhões com a União, que foi parar na PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e no dia 18 de maio, a empresa assinou o acordo com o governo Federal, no qual foi bonificada com o perdão de 70% da dívida. Não há informação do montante perdoado. Mas 70% de R$ 830 milhões são R$ 581 milhões.

Após o acordo, no qual a Editora Abril empenhou junto ao governo Federal as marcas de suas revistas Veja, Quatro Rodas, Capricho e Você S/A, como garantia, deve ter ficando como dívida a bagatela de R$ 249 milhões, ou coisa parecida. Não se tem informações sobre o que foi pago dessa dívida que ficou, porém foi parcelado em longos anos. As dívidas junto à Previdência Social, por exemplo, foram divididas em 10 anos.

O assunto veio à tona nesta terça-feira (29/03/22), após a revista Veja publicar reportagem sobre possível dívida de cerca de R$ 220 mil, que a socióloga Rosângela Silva, a Janja, noiva do ex-presidente Lula, teria com a Receita Federal, Caixa Econômica e taxas de um condomínio residencial. A notícia dominou a mídia nacional e as redes sociais.

“Janja informou, por intermédio de assessoria, que a dívida com a Caixa Econômica Federal está em fase de negociação.  Já o débito junto à Receita, informou a noiva de Lula,  trata-se de ‘questões particulares com tratativas negociais normais’. A pendência com o condomínio, segundo ela, já foi resolvida”, disse em nota a assessoria. 

O esclarecimento de Janja, foi convincente e decente. Mas ela também poderia fazer um esclarecimento parecido com o feito pela Editora Abril quando foi negociar sua milionária dívida: Para encerrar disputas na Justiça e superar a “situação transitória de crise econômico-financeira” da empresa.

Mas não é só isso, em 2018, a Editora Abril entrou com pedido de recuperação judicial de uma dívida de R$ 1,6 bilhão. Envolta a tantos problemas com dívidas públicas milionárias, dívidas com o patrimônio público, incluindo dívidas com a sagrada Previdência Social, e com sua marca penhorada junto ao governo Federal, a revista Veja poderia estar cuidando de suas finanças ao invés de estar publicando picuinhas com objetivo de jogar água suja no “chope” de Lula e Janja.

Franco Silva: Direto do lago Sapucuá (Amazônia)

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