O ex-presidente Lula sugeriu nesta segunda-feira (04/04) que os sindicalistas mudem a estratégia de fazer pressão sobre deputados federais e senadores. Atualmente, quando desejam fazer alguma reivindicação aos congressistas, normalmente os dirigentes sindicais vão a Brasília fazer as manifestações, o que segundo Lula, praticamente não surtem os efeitos necessários. O petista também voltou a demonstrar preocupação sobre o Congresso Nacional que será eleito em outubro.

“A gente vai ter que colocar no papel o que a gente quer e ensinar a sociedade a cobrar dos deputados as coisas. Daqui para a frente a gente vai ter que mudar o jeito de fazer pressão no Congresso Nacional. Fazer ato público na frente do Congresso Nacional não move uma pestana de um deputado. Quando a gente está dentro do plenário a gente não sabe se está chovendo, se está caindo canivete. Você só vai saber dos atos quando chega em casa e liga a televisão”.

“A gente não aprendeu a fazer pressão na cidade onde as pessoas moram. Os deputados têm casa, eles moram em uma cidade, nessa cidade têm sindicalistas. Então se a gente mapeasse o endereço de cada deputado e fossem 50 pessoas na casa do deputado – não é para xingar, é para conversar – incomodar, surte muito mais efeito do que manifestar em Brasília”.

“Vamos ter que conversar mais sério com a sociedade a importância de votar no Legislativo. Temos o pior Congresso Nacional da história do Brasil. Nem o Ulysses Guimarães tinha 10% da força que tem o Lira hoje. A gente nunca teve orçamento secreto. Se esse orçamento fosse bom, por que não é público?”.

“Eu fico imaginando se a gente ganhar as eleições para presidente da República e fizer minoria. O PT era o maior partido no Congresso e tem 56 deputados em 513. A esquerda toda tem cento e poucos. Só o Valdemar da Costa Neto agora tem 78 deputados. Os partidos viraram cooperativas de deputado. O que vale é a repartição do fundo eleitoral. O União Brasil só do fundo eleitoral tem quase R$ 800 milhões. O PT também tem muito, R$ 400 e poucos milhões. Temos uma tarefa quase que heróica. Como é que a gente vai trabalhar para não eleger pilantra? Como é que a gente vai fazer para a direita não ter maioria? Temos que fazer algo diferente do que fizemos até agora para que tenhamos um resultado diferente do que tivemos até agora”, ponderou Lula.

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