A pouco mais de cinco meses para o primeiro turno das eleições, que acontece no dia 2 de outubro, o ex-presidente Lula (PT) e a coordenadora de sua campanha e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann deram nesta segunda-feira (04/04) os sinais mais concretos de como será o início do terceiro mandato de Lula, caso se confirme o que dizem todas as pesquisas de intenções de votos.

Em encontro com sindicalistas da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Lula ponderou que hoje existem cerca de 8 mil militares (entre reserva e ativos) instalados indevidamente no governo federal em espaços que deveriam ser ocupados por brasileiros selecionados por concursos públicos. Portanto, para Lula esses militares, que estão além da cota, devem deixar o governo.

Na mesma reunião, o petista pediu aos sindicalistas que mudassem a estratégia de pressão sobre deputados federais e senadores. Que ao invés dessa pressão que atualmente é feita em Brasília, passasse a ser nas cidades onde residem os parlamentares, fato que resultaria, de acordo com Lula em mais resultados. “Ir à casa deles não para xingar. Mas para conversar”.

À noite, em jantar com empresários, Gleisi Haffmann a presentou o jovem economista Gabriel Galípolo (39), que presidiu o Banco Fator entre 2017 e 2021 e atualmente é conselheiro da Fiesp. Galípolo é formado pela PUC-SP, ele já deu aula na mesma faculdade e gravita próximo a Lula, pelo menos desde o natal de 2021, quando o petista participou do natal dos catadores de materiais recicláveis.

Mas até então, Galípolo era tratado de forma discreta ao público. Em seu discurso, Lula deu a pista: “Aqui hoje a gente tem um banqueiro que já não é mais banqueiro e que está do nosso lado nessa briga para reconstruir a democracia”. O petista, no entanto, não citou o nome do economista, aumentando o ar de mistério sobre a sua identidade.

Na mesma balada, a presidente do PT disse aos empresários e a integrantes do mercado financeiro que o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, continuará no cargo caso Lula seja eleito. Mas que Lula será o “homem forte” da economia.

O jantar rolou na casa do empresário João Camargo. Dentre os presentes, estavam empresários alinhados ao governo Bolsonaro, como Flavio Rocha, da Riachuelo.

“Eles me disseram que Lula teve o Henrique Meirelles (presidente do Banco Central nos governos Lula) como referência e eu disse a eles que se houve o Meirelles haverá o Roberto Campos Neto, se Lula ganhar pois ele ficará até o final dos seu mandato no Banco Central”, disse Haffmann. Campos Neto, um dos liberais do governo Bolsonaro, tem mandato até 31 de dezembro de 2024.

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