A pouco mais de cinco meses para o primeiro turno da eleição presidencial deste ano, a candidatura do ex-presidente Lula (PT), já isolou qualquer possibilidade de quaisquer espaços para viabilidade de outra candidatura além da chapa liderada pelo petista e outra por Jair Bolsonaro. Candidaturas daqueles que desejavam uma alternativa entre Lula e Bolsonaro (os chamados nem-nem) já caíram ou estão prestes a caírem. O último grande avanço do petista sobre parte dos potenciais aliados da chamada terceira via aconteceu na noite desta segunda-feira (11/04) em jantar em Brasília na casa do ex-senador Eunício Oliveira (MDB/CE).

Além de Eunício, estiveram no jantar um grupo expressivo de senadores do MDB que informaram a Lula existir 17 (de 27) diretórios estaduais que desejam apoiá-lo. Para esses emedebistas, será suicídio político o MDB marchar com a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB/MS).  Temem que Tebet conduza o MDB ao resultado pífio que teve em 2018, quando a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles acabou o pleito com 1,2% e o MDB perdeu quase 50% de sua bancada no Congresso Nacional.

Lula aproveitou o momento para empurrar Tebet para a “guilhotina”. O petista lembrou do ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães que, segundo ele, saiu do processo de elaboração da Constituição de 1988 como virtual presidente da República, mas acabou derrotado no pleito de 1989 e não conseguiu nem ir para o segundo turno, que acabou sendo disputado entre Lula e Collor de Melo.

Soma de nada com pouca coisa

Renan Calheiros, Lula e Renan Filho

O senador Renan Calheiros (MDB/AL) avaliou que nem a pretensa união de MDB, União Brasil e PSDB terá potencial para alterar o cenário entre a polarização Lula x Bolsonaro.

“Se você somar quem tem 1% com quem tem 2% não vai alterar a fotografia das pesquisas. É somar nada com pouca coisa”, disse.

Renan afirmou que considera Tebet uma “grande parlamentar” e disse que acredita que existe a possibilidade de ela recuar da candidatura à Presidência.

“Nós temos o maior respeito por ela, mas, se não houver mudança na fotografia das pesquisas, acho que ela própria vai tomar a iniciativa de levar ao partido para não ter candidato”, disse. Certamente Renan já ouviu isso de Tebet ou de líderes do grupo de emedebistas que desejam a candidatura própria do partido.

O parlamentar afirmou ainda que o partido não pode “brincar” de participar do pleito presidencial. “Quando brincaram com candidatura a presidente, como na eleição passada com Meireles, o MDB pagou um preço terrível”, disse.

“Querendo ou não, já está polarizada”

Lula e Eunício dirante o jantar

O anfitrião do encontro, Eunício Oliveira elogiou Simone Tebet, mas disse que não acredita na possibilidade de algum candidato ultrapassar Lula ou Bolsonaro para chegar em um eventual segundo turno. Ele também afirmou que tem simpatia pelo petista.

“Querendo ou não, já está polarizada”, disse. E completou: “Todos nós que acompanhamos o dia a dia da política, sabemos que ela está polarizada entre Lula e Bolsonaro, quem acompanha sabe que isso é verdade”.

“O intuito de hoje é se fazer um debate sobre as questões do país, sobre democracia que a gente vê todo dia em risco, custo de vida, inflação que está galopante, taxas de juros que está insuportável”.

Segundo o ex-senador, em ao menos 17 estados o MDB tem grande simpatia pela candidatura de Lula.

Além de integrantes do MDB, o jantar também contou com a presença de senadores do PSD, como Omar Aziz (PSD-AM), do PSB, como Dário Berger (PSB-SC), senadores do PT, além dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Acir Gurgacz (PDT-RO). Outros nomes de peso do MDB, como Garibaldi Alves Filhos e Renan Filho, ex-governador de Alagoas, também participaram do encontro. Antes do jantar, Lula teve encontro em separado com o ex-presidente José Sarney, que também mantém grande influência dentro do MDB. Seu filho Sarney Filho participou do jantar.

Meu candidato é o Lula

Omar Aziz com Lula durante o jantar

‘É indiferente. Meu candidato é o Lula’, declarou na segunda-feira (14/03) o senador Omar Aziz (PSD/AM) em meio à discussão sobre a possível candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, cujo projeto seria trocar seu partido atual, o PSDB pelo PSD de Gilberto Kassab e ser candidato à Presidência da República. Foi a segunda tentativa de Kassab de emplacar um candidato à Presidência. O primeiro foi o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD/MG) que “jogou a toalha” após sua candidatura não passar de 1% das intenções de votos a seis meses da eleição. Como se sabe, Leite não saiu do PSDB. Omar também esteve na noite desta segunda-feira (11/04) no jantar promovido pelo ex-senador Eunício Oliveira em Brasília.

Lula quer Kassab ao seu lado para ajudar a faturar a Presidência ainda no primeiro turno. Mas se ocorrer, Kassab deseja vender caro a adesão. No entanto, Lula vem “comendo pela beirada”. Na Bahia, onde PT está em seu quarto mandato consecutivo, (PT/BA) a chapa encabeçada pelo petista Jerônimo Rodrigues buscará a reeleição do senador Otto Alencar (PSD/BA). O atual cenário coloca o PT como protagonista na Bahia em uma chapa com mais sete siglas aliadas: PSD, MBD, PSB, PCdoB, PV, Avante e Patriota.

Entre senadores do PSD a avaliação é de que se perdeu muito tempo com o projeto “Rodrigo Pacheco”. Omar Aziz, que deve tentar sua reeleição sabe disso. Por isso a clara frase: ‘É indiferente. Meu candidato é o Lula’. Sabe ele que uma candidatura própria do PSD nada agregará ao seu projeto, diferente de Lula que tem no Amazonas grande capital político.

Passaporte para eleição no 1º turno

Sobre o apoio do PSD a Lula outro importante evento é a disputa do governo mineiro. Em Minas Gerais a esperança de Lula é fechar parceira com o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Lá, Lula precisa de Kalil e Kalil de Lula. O PSD quer o governo. O PT quer eleger Lula e o senador. Logo é possível a aliança. Ano passado, ao ser questionado sobre a possível aliança com o PSD, Lula afirmou que estava esperando o momento de “apertar as bochechas (rosadas) de Kassab”.

Sabe aquela soma que o senador Renan Calheiros fez durante o jantar de ontem à noite com Lula?  “Se você somar quem tem 1% com quem tem 2% não vai alterar a fotografia das pesquisas. É somar nada com pouca coisa”. Para candidatura alternativa às de Lula e Bolsonaro não tem valor nenhum. Mas para Lula pode ser o passaporte para eleição do petista ainda no dia 2 de outubro, por isso a implosão da terceira via deve continuar nos próximos dias.

Franco Silva – Do lago do Sapucuá (Amazônia)

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