A se confirmar o que dizem todas as pesquisas, a partir de 1º de janeiro de 2023 o Brasil voltará a trilhar o caminho do fortalecimento do estado democrático e do respeito às Instituições. Lula será eleito em outubro deste ano e assumirá a cadeira de presidente da República sem controversas das Forças Armadas. Ao menos é o que afirmaram alguns generais ao ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, o interlocutor de Lula quando o assunto são militares do alto escalão das forças Armadas.

“Nada impedirá o vencedor, qualquer que seja ele, de assumir a cadeira no Palácio do Planalto”, teriam dito a Jobim alguns generais, de acordo com a jornalista Vera Rosa do jornal O Estado de São Paulo. “A impressão que fico, nessas conversas, é a de que as Forças Armadas são totalmente legalistas”, disse Jobim analisando a conversa.

A rigor, depois do fracasso de 21 de governos militares (1964-1985) e das lambanças no governo atual isso será o mínimo que o alto escalão das Forças Armadas devem fazer pelo Brasil: Não atrapalhar a evolução política da sociedade brasileira em direção ao fortalecimento da Democracia. A eles, cabem as funções estabelecidas na Constituição Federal de proteger o Brasil contra eventuais inimigos externos. Essa é a principal função profissional, ao qual, todo brasileiro que faz opção por ser militar deve ter em mente enquanto fardado.

Quem ainda não deu conta disso é o ex-capitão e agora presidente da República Jair Bolsonaro.  Em discurso à cúpula militar nesta terça-feira (19/04), Dia do Exército, Jair Bolsonaro (PL) incitou a caserna a entrar na disputa eleitoral, citando inclusive o tuite de Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército que estava presente na cerimônia, com ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) na véspera do julgamento que poderia colocar Lula em liberdade, em 2018.

Mas pelo clima, são apenas palavras jogadas ao vento. Grande parte dos militares já busca preservar o que resta de dignidade da Instituição e não estão dispostos a embarcar em aventuras comandadas por Bolsonaro, principalmente depois dos escândalos em que alguns de seus membros e Unidades se meteram, que passam pela incompetência de gestão pública, compras excessivas de produtos supérfluos (ao menos com dinheiro público) como whiskys, picanhas, viagras e próteses penianas.

Dia 9 de março, o vice-presidente da República, general de reserva, Hamilton Mourão, em entrevista ao portal Metrópoles, já havia “cantado a pedra”. “Isso é algo totalmente desproposital. As Forças Armadas têm se mantido dentro dos limites dos deveres constitucionais dela, têm agido dessa forma ao longo de todo esse período, desde o término do período de presidentes militares. As Forças Armadas não se meteram em nenhum processo eleitoral. Fomos aí, ao longo de 12 anos, 13 anos, governados pela esquerda, pelo PT, sem problema nenhum”, disse Mourão.

Pelo jeito, Bolsonaro ficará sem apoiadores fardados no alto escalão militar na busca de “melar o processo eleitoral” e terá que contentar-se, talvez, com um cabo e um jipe para levar suas trouxas na saída do Palácio do Planalto.

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