O ex-presidente Lula (PT) disse nesta quinta-feira (28.04.22) que estava muito feliz e com a alma lavada, após o anúncio da decisão do Comitê da ONU (Organização das Nações Unidas) que concluiu que o ex-juiz Sergio Moro e membros da operação Lava Jato agiram de forma ilegal e de forma arbitrária na condução dos processos contra Lula que, resultaram em sua prisão e também o impediram de concorrer na eleição de 2018, quando liderava todas as pesquisas eleitorais. No parecer do Comitê, ao qual o Brasil é signatário, o grupo de juristas internacionais pede que o governo brasileiro, no prazo de 180 dias, efetue reparações por danos causados a Lula.

“Hoje eu estou feliz, a decisão do tribunal da ONU lavou a minha alma. E eu só quero que a imprensa, que divulgou tantas mentiras sobre mim, peça desculpas e admita que foi enganada por Moro e Dallagnol”, disse Lula.

Além do parecer da ONU, outros eventos completaram a felicidade de Lula.

Também no campo jurídico, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou que o ex-senador Delcídio do Amaral indenize o ex-presidente Lula (PT) por danos morais. De acordo com a decisão do juiz Mauricio Tini Garcia, Delcídio acusou o petista, sem provas, de obstruir investigações da Lava Jato em sua delação premiada. Pelo crime, Delcídio do Amaral terá que indenizar Lula em R$ 10 mil. A informação é da jornalista Mônica Bergamo no jornal Folha de São Paulo.

À Justiça de São Paulo, Lula pediu reparações afirmando que foi afetado em sua dignidade e integridade moral em virtude das falsas acusações de Delcídio e pediu uma indenização de R$ 1,5 milhão. ​

Fariseu no Planalto

Com astral nas alturas devido às conquistas jurídicas e hospedado e transitando no setor hoteleiro de Brasília, a poucos metros do Palácio do Planalto, onde recebeu apoio oficial do PSB e da Rede Sustentabilidade, o petista não perdeu a oportunidade para alfinetar seu virtual concorrente, o presidente Jair Bolsonaro, a quem classificou como “fariseu”, membro do grupo judeu responsável pela crucificação de Jesus Cristo.

“Ele vive de mentiras. Foi eleito presidente com base na mentira, no ódio, na provocação, e ele pensa que ela vai se reeleger assim. Não vai se reeleger. Dizem todos os dias que o Bolsonaro está preparando golpe, Bolsonaro vai dar golpe”, disse Lula.

“Vai ter um golpe neste país. No dia 2 de outubro, o povo brasileiro vai dar um golpe no fascismo e vai restabelecer a democracia nesse país”, afirmou o petista, em alusão à data do primeiro turno das eleições, disse o petista em evento organizado pelo partido Rede Sustentabilidade.

Rede sem Marina, ainda

No início da tarde, em um hotel de Brasília, Lula recebeu apoio formal de lideranças do partido Rede Sustentabilidade, dirigido pela ex-petista acreana Marina Silva, ausente no evento.

No entanto, apesar da ausência de Marina, os organizadores do encontro informaram que o anúncio representava a “maioria” da agremiação partidária.

O evento foi organizado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que já participa da coordenação da campanha de Lula e os deputados federais Joênia Wapichana (Rede-RR), Túlio Gadelha (Rede-PE), e Gleisi Hoffmann (PT-PR).

“Isso se chama política”

À noite, o ex-presidente Lula atribuiu à “política” e à “maturidade” a aliança eleitoral que firmou com o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB) para a eleição presidencial deste ano, ao receber o apoio oficial dos socialistas.

“De vez em quando, Alckmin, alguém fala: ‘Ah, mas o Lula e o Alckmin já divergiram. Por que eles agora estão juntos?’ Porque isso chama-se política. Isso chama-se maturidade. Isso chama-se compromisso com este país e compromisso com o povo brasileiro”, disse o petista em discurso na abertura do congresso do PSB, em um hotel de Brasília.

“Se voltarmos a governar esse país, não teremos tempo para descansar. Vamos ter que fazer muito mais. E eu quero olhar pra trás e pensar que valeu a pena”.

“Eu sou cristão, acredito em Deus. E o Deus que eu acredito não pode ser o mesmo que essa gente (bolsonarista) mentirosa acredita. Como cristão à noite, não consigo mesmo deitar à noite, sabendo que tem alguém dormindo na rua. Que tem gente sem conseguir comprar remédio”.

“O Rio São Francisco não é de uma cidade ou estado. Ele é nacional. E por isso resolvemos o desafio e resolvermos 88% da transposição para levar água para quem. Agora, o Bolsonaro, que terminou apenas 5% da obra, faz propaganda na TV como se fosse um feito dele”, ponderou Lula.

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