Após o Comitê de Direitos Humanos da ONU concluir que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial em seu julgamento contra o ex-presidente Lula, o desembargador do TFR-4 (Tribunal Regional Federal da 4º Região), Rogério Favreto, disse que sofreu “perseguição” e que tentaram lhe “cancelar” após assinar o Habeas Corpus que concedeu liberdade ao ex-presidente petista, em 8 de julho de 2018. À época, Lula estava preso em Curitiba por determinação do ex-juiz Sergio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato.

“Agora está provado pelas revelações, pelas mensagens, por esse grupo político que operava nesse lawfare duplo, porque foi uma articulação do sistema de justiça para perseguir, processar, prender e condenar pessoas, dentre essas o ex-presidente, sem provas, sem princípio da ampla defesa. E duplo, eu digo, pois ao mesmo tempo que perseguiu e inviabilizou pessoas inclusive de prosseguirem com seus negócios, ao mesmo tempo teve um duplo efeito, pois serviu para autopromoção e projeção de quem? Daquele grupo do MP e do ex-juiz Moro, que agora está provado”, disse Favreto.

“Era eu quem fazia política? Quem é que logo depois disso soltou uma gravação, uma delação às vésperas da eleição, aceitou o convite para ser ministro [da Justiça de Bolsonaro] com a promessa de ser ministro do Supremo e agora é candidato, filiado a partido. Ele e o Deltan [Dallagnol] são candidatos. Mas agora a máscara caiu”, emendou, indignado.

Em entrevista à Revista Fórum, o desembargador federal apontou que impetraram uma representação no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em seu desfavor, que posteriormente foi arquivada, e a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, abriu um processo criminal acusando-o de “prevaricação” por decidir em favor de Lula, sob a acusação de ele ser “amigo” do petista, fato que nega de forma veemente.

“Houve uma perseguição de todas as formas: fizeram representação no CNJ, que depois foi arquivada, e também um processo criminal que foi solicitado pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, dizendo que eu prevariquei, porque decidi em favor de amigos meus. Eu não sou amigo do ex-presidente, não sou amigo dos autores do Habeas Corpus”, declarou.

Rogério Favreto afirma que, além do âmbito profissional, também sofreu perseguição na vida privada, com ameaças virtuais dirigidas a membros de sua família, além de ter seu número pessoal exposto por jornalistas e por políticos.

Então houve [ainda] uma perseguição pessoal, familiar, tive que andar com segurança, minha mãe, meus filhos foram ameaçados nas redes sociais, meu telefone foi divulgado. Quiseram me cancelar. Queriam me exonerar, me excluir, me tirar da minha função, porque, se eu fosse ‘culpado’ por isso, iriam dizer ‘ele está errado’, e eles estão certos, ou seja, tinham que reafirmar aquelas arbitrariedade e aquele sistema ilegal, autoritário e parcial que estava ocorrendo”, disse.

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