A pesquisa XP/Ipespe, divulgada nesta sexta-feira (06.05.22), na qual Lula aparece com 44% e Bolsonaro com 31% não traz grandes motivos para petistas comemorarem, apenas alivia a tensão de que Bolsonaro estaria chegando em Lula. No segundo turno Lula aparece com 54% e Bolsonaro 34%. São números que dizem claramente que a militância petista tem 4 meses para ajudar Lula a conseguir 2% ou a decisão será em segundo turno, como em 2006, quando o petista não venceu no primeiro turno por míseros 1,39%.

A pesquisa não pode ser classificada como das melhores do ponto de vista científico, porque foi realizada por telefone, que não atinge uma grande parcela de eleitores que não possuem telefone e que teoricamente votariam em Lula. Mas pesquisas internas do PT concluem por números parecidos, o que serve para acender a luz amarela aos petistas, porque Lula vem nesse patamar, sem crescer “um palmo”, há mais de seis meses.

Há um esforço monumental de Lula e da direção do PT para não repetir 2006, quando Lula obteve 48,61% dos votos no primeiro turno. Alckmin, então no PSDB teve 41,64% e foi o grande adversário de Lula. Hoje o governador paulista, no PSB, será o parceiro de chapa de Lula. Heloisa Helena (ex-PT), então no PSOL foi a terceira colocada com 6,85% dos votos. Hoje o PSOL está fechado com Lula e não terá candidato à Presidência. Cristovam Buarque (ex-PT), que disputou pelo PDT ficou em quarto lugar com 2,64%. Hoje Cristovam também está fechado com Lula.

Mas mesmo com todo esse apoio, Lula parece não andar, e a apouco mais (isso a pouco mais) de quatro meses para o primeiro turno da eleição, o PT ainda demonstra desorganização na área de comunicação, parece faltar esforço e vontade de parte de lideranças petista para organizar o enfrentamento ao bolsonarismo, que já demonstrou grande poder de mobilização e de domínio das redes sociais de internet, meios por onde “rola” grande parte das informações, tentativas e  convencimentos políticos.

Militância puxou Lula em 1989

Em 1989, Lula conseguiu aglutinar ao seu entorno, uma grande força militante (não só partidária) formada pelos mais diversos matizes ideológicos que foi capaz de impulsioná-lo à disputa no segundo turno com Collor de Melo. No primeiro turno, a aliança de Lula era formada basicamente pelo PT, PCdoB e PSB.

Tudo pequenos partidos e lideranças sem grandes expressões nacionais, ou de longa tradição histórica como do ex-governador Leonel Brizola e do deputado federal Ulisses Guimarães, com Lula também disputou. O PT ainda era um neófito de nove anos. Também de pouca história. Mas ainda assim, uma aguerrida militância que se juntou no entorno de Lula fez a diferença e conduziu à disputa no segundo turno. Lula chegou à frente de Brizola por 0,67% (17,18% contra 16,51%).

Essa contextualização é emblemática por dois motivos: 1) porque os 0,67% foram decisivos para elevar Lula ao patamar de líder nacional e representante das oposições. Sem os 0,67% Lula jamais seria a liderança, o Lula que é hoje. A história seria outra: Leonel Brizola disputaria com Collor e vencendo ou não, experiente e carismático aglutinaria ao seu redor grande parte da sociedade que não desejava o governo brasileiro em mãos que seguissem os mesmos rumos dos governos militares. E Collor significava essa sequência, a começar pela utilização do verde e amarelo, similar ao do hoje Jair Bolsonaro. Bolsonaro e sua turma foram além, apropriaram-se do sagrado verde-amarelo e da bandeira nacional brasileira.

Nos próximos dias inicia-se a campanha para a eleição de 2022. Serão dois meses de intensar disputas, certamente entre Lula e Bolsonaro. Lula lidera com folga. Mas Bolsonaro também formou uma força militante de extrema-direita e tem a máquina do governo federal em suas mãos.

Neste sábado (07.05.22) o PT lança oficialmente Lula como candidato a Presidente da República. O ato e a partir dele será possível saber se Lula consegue ao menos o necessário (mais 2%) para vencer no primeiro turno ou teremos que enfrentar a grande emoção do segundo turno. Porém, parte da decisão se a vitória de Lula vai ser com emoção ou com o coração “saindo” pela goela dependerá da capacidade da militância de se organizar e lutar.

Mas parte dessa capacidade de embate da militância, depende de organização que passa pelas coordenações partidárias. Nesta quinta-feira, (05.05.22), por exemplo, quando o carro de Lula foi abordado por bolsonaristas não havia ninguém do PT, além dos seguranças nota 10 que habilmente impediram que o grupo bolsonarista tivesse mais sucesso no ato. Mas mesmo assim, 10 “gatos pingados” ganharam manchetes em toda a grande mídia e, não se pode continuar culpando a mídia por certos erros de extratégias ou falta de organização na condução da campanha de Lula. Nesse caso se houvesse uns 30 militantes do PT no local, os bolsonaristas ficariam intimidados. É isso!

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